Sallisa Rosa

Sallisa Rosa é natural de Goiânia – Goiás, atualmente vive no Rio de Janeiro. Atua com a arte como caminho e experiências intuitivas, ficção, identidade e natureza, sua prática circula entre fotografia e vídeo, mas também instalações e obras participativas.

Passando pela peneira.
Passar pela peneira, ou peneirar, é um fazer culinário mas também uma expressão que de onde eu venho explica um processo psicológico de apuramento. Passo pela peneira como experimentação artística e proponho: o que muda quando a peneira é outra? Busco estabelecer diálogo entre vivência alimentícia já que o ato de cozinhar é uma ação em essência colaborativa, e que com o processo de colonização essa ação foi deslocada para o plano servil. Desta maneira também posso fazer interlocução com o espaço do museu e com outros artistas sobre o universo da alimentação e o espaço da cozinha, afinal como é a cozinha do museu, o que tem, como é ocupada e compartilhada, em que situação, quem come o quê? Quem serve? Quem é servido? A indústria alimentícia tenta minar a culinária do dia-dia, e quanto menos se cozinha mais se perde da tradição da comida, isso também implica em perda de conhecimentos, de saberes, de biodiversidade e do fortalecimento de relações.Considerando que o agronegócio é um grande inimigo, a arte de devorar pode ser uma contranarrativa que nos sustente um pouco mais para lutar.

Selecionada ao Programa de Bolsa de Pesquisa MAM | CAPACETE no eixo Museu e biodiversidade.


Napê Rocha

Napê Rocha investiga práticas e poéticas de artistas negres, corporeidades negras e arte contemporânea a partir das vias prática+teórica e crítica nas artes visuais. A encruzilhada mobiliza seu trabalho orientado pela aspiração de refletir sobre as posições ocupadas por pessoas negras no campo das artes visuais a partir de uma prática anti-racista e anticolonial, bem como de inventariar sabedorias e tecnologias que possibilitem a continuidade das existências negras em meio a diáspora e no terreno da arte. Atualmente é doutoranda em Arte e Cultura Contemporânea (PPGArtes-UERJ).

Sua proposta para o Programa de Bolsas de Pesquisa MAM | CAPACETE pretende produzir apontamentos críticos em torno da produção de narrativas curatoriais nas artes visuais a partir de um mergulho no interior das encruzilhadas. A encruzilhada é entendida como: 1) uma espacialidade produtora de singularidades e vitalidades que induz à criação através de seus trânsitos, encontros, jogos de negociações, dissensos, contradições e da polifonia que lhe é característica; 2) uma lente que ordena a leitura dos elementos simbólicos oriundos das culturas africanas e afro-diaspóricas a partir de seu próprio interior. A pesquisa pretende caminhar em direção às possibilidades coletivas de elaboração de noções sobre o campo da arte, os fazeres artísticos, formas de curadoria, produção de conhecimento e contranarrativas assentadas em sabedorias e práticas ancestrais e anticoloniais mobilizadas como posicionamento ético em relação ao campo das artes visuais.

Selecionade ao Programa de Bolsa de Pesquisa MAM | CAPACETE no eixo Arte africana diaspórica.


Maria Lucas

Maria Lucas, artisticamente também conhecida como Ma.Ma. Horn, é uma travesty multiartista carioca. Mestra em Artes da Cena pela ECO-UFRJ e Miss Simpatia, Teatro Rival2018, busca interseções entre ficção e realidade em sua arte-vida.

“Trava-Nius, o jornalzim das travestys “
O projeto busca criar um rabisco na construção imagética socialmente alocada nas corpas de travestys e mulheres trans brasileiras. É um jornal atemporal q busca (re)construir narrativas para corpas trans-femininas, revertendo os lugares de poder ocupados por corpos Cis-Centrados. Busca-se borrar Manchetes, construindo manifestações que cerceiem, ou não, o campo da ficcionalidade.

Selecionada ao Programa de Bolsa de Pesquisa MAM | CAPACETE no eixo Espaços de arte experimentais e espaços de arte autônomos.


Idjahure Kadiwel

Idjahure Kadiwel (1990) nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e pertence aos povos Terena e Kadiwéu (MS). É poeta, editor, tradutor e antropólogo, graduado em Ciências Sociais pela PUC-Rio (2016) e mestre em Antropologia Social pelo PPGAS do Museu Nacional/UFRJ (2020). Em sua dissertação de mestrado retratou a trajetória de vida de seu pai Mac Suara (1962), o primeiro ator indígena no cinema brasileiro, que estreou nas telas em 1985, com Avaeté: Semente da Vingança, tendo sido também um dos fundadores do Núcleo de Cultura da União das Nações Indígenas e da Aliança dos Povos da Floresta. Desde 2016 é correspondente da Rádio Yandê, a primeira web rádio indígena no Brasil. É editor da coleção Tembetá (Azougue Editorial/Revistas de Cultura), projeto editorial que teve o objetivo de visibilizar a trajetória e o pensamento de diferentes personalidades do movimento indígena no Brasil, com 9 livros de entrevistas publicados entre 2017 e 2019; e atualmente do catálogo da exposição de artes indígenas Véxoa: Nós sabemos, sob curadoria de Naine Terena, na Pinacoteca de São Paulo.

O projeto preliminarmente intitulado Perspectivas audiovisuais indígenas em movimento parte de algumas questões que surgiram no processo de pesquisa de minha dissertação de mestrado em Antropologia Social, em meio ao exame do contexto de emergência do movimento indígena e da representação indígena nas telas, no percurso de escrita da história de vida de um ator Kadiwéu. Naquele processo, percebia como um conjunto de filmes ao final da década de 1970 e 1980, como Terra dos Índios (Zelito Viana 1978), Raoni (Dutilleux e Saldanha 1978), Conversas no Maranhão (Andrea Tonacci 1983) e Avaeté: Semente da Vingança (Zelito Viana 1985) – todos restaurados em anos recentes – se constituem em documentos que inauguram o testemunho de uma crescente ocupação dos povos indígenas e de suas vozes nas telas, anteriores e até mesmo inspiradores do movimento iniciado com o Vídeo nas Aldeias. As produções audiovisuais, para além da divisão entre fatos e ficções, dão expressão de que os povos indígenas emergem nas telas para tratarem, não do Brasil, mas da defesa de suas terras. Esse estudo propõe esboçar uma breve análise da produção audiovisual indígena contemporânea por meio da análise estética de um conjunto de filmes (a partir de Silva 2020 e de catálogos de festivais a serem pesquisados) e do contexto cultural de suas produções, em um balanço crítico entre a memória, o cinema e os povos indígenas.

Selecionado ao Programa de Bolsa de Pesquisa MAM | CAPACETE no eixo Saberes e causas indígenas.


Caio Calafate e Pedro Varella

Caio Calafate e Pedro Varella são fundadores do gru.a (grupo de arquitetos), atelier baseado no Rio de Janeiro. Desde sua formação em 2013, elaboram projetos e obras de diversas escalas e naturezas, com especial interesse na interseção entre os campos da arquitetura e da arte contemporânea. Sua prática é estruturada através da relação entre Pesquisa, Projeto e Ensino, sempre buscando um estreito contato com as instituições, público e parceiros envolvidos. Dentre os trabalhos desenvolvidos através do gru.a destacam-se COTA 10 (2015), De ONDE NÃO SE VÊ QUANDO SE ESTÁ (2018), RIPOSATEVI (2018) e A PRAIA E O TEMPO (2019). Caio é arquiteto formado pela PUC-Rio (2010) e doutorando no Programa de Pós-Graduação em Design da Escola Superior de Desenho Industrial da UERJ. É mestre em Projeto de Arquitetura pela PUC-Rio (2015). Foi editor da Revista Noz entre 2007 e 2010. Desde 2015 é professor de projeto do Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Santa Úrsula. Pedro é arquiteto formado pela FAU/UFRJ (2011) e mestre na área de teoria, história e crítica do projeto no PROARQ-UFRJ (2016). Possui formação complementar pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage (EAV) onde estudou entre 2007 e 2010. É co-autor do livro Rio Metropolitano: guia para uma arquitetura, publicado em 2013. Desde 2015 leciona no Curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Santa Úrsula e desde 2017 no IED-rio (instituto europeo di design).

Museu, Parque e Chão.
Morros cortados por pedreiras, montanhas desmontadas, aterros de grandes proporções e lagoas soterradas por debaixo do asfalto são algumas das operações que constituem a cultura de transformação da natureza empreendida com radicalidade e violência no curso da expansão urbana do Rio de Janeiro. A construção do MAM-RJ foi viabilizada por uma dessas obras, consequência dos sucessivos aterros realizados com terras provenientes do desmonte de morros da região central, oferecendo assim um novo chão para a cidade. Este chão — cujas potências e latências nos interessa investigar — conforma hoje um imenso sítio artificial. O chão, por um lado, pode impermeabilizar as relações entre a matéria física que constitui sua base e o mundo das ideias que está para cima dele. Por outro, tem também o poder de estabelecer uma política de relação entre esses domínios, um potente dispositivo de fricção entre a arquitetura e o lugar onde ela está implantada. Das explorações críticas sobre a arquitetura do MAM-RJ parece que, no que se refere às tensões entre arquitetura e solo, ainda cabe investigação mais aprofundada. Por isso, pretendemos escavar o campo de possibilidades que se abre nas lacunas deste chão: simultaneamente museu, parque e cidade.

Selecionados ao Programa de Bolsa de Pesquisa MAM | CAPACETE no eixo Arquitetura do MAM, urbanismo, paisagismo do Parque do Flamengo.


Érika Lemos e Gustavo Barreto

Érika Lemos Pereira é mulher cis, preta, de família popular e moradora de Campo Grande. Bacharela em História da Arte pela EBA/UFRJ e licenciada em Artes Visuais pela CEUCLAR. Educadora e pesquisadora. Investiga a interseção entre Artes Visuais, Educação e Trabalho.

Gustavo Barreto é cria de Irajá e Madureira. É licenciado em Artes Visuais – UERJ e mestrando pelo PPGARTES-UERJ. Atua como educador, curador e pesquisador. Seu interesse perpassa as relações entre Arte, Educação, Curadoria e Políticas Públicas Culturais.

A pesquisa tem como objeto a história da Educação no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM-Rio). Tem como finalidade investigar a criação e o desenvolvimento do Programa Educativo do MAM enquanto núcleo multiplicador da Arte e Educação, tendo como foco o protagonismo das educadoras que fizeram parte do museu, em diferentes períodos, contextos e gestões, e que possibilitaram inúmeras práticas educativas em diversos lugares. O projeto pretende elaborar uma cronologia do Programa Educativo do MAM, abordando suas principais concepções pedagógicas, bem como identificar e dialogar com as pessoas que cooperaram ao longo do programa.

Selecionades ao Programa de Bolsa de Pesquisa MAM | CAPACETE no eixo Arte e pedagogia, educação formal e informal.


Bruna Camargos

Historiadora, educadora e pesquisadora, mestre em História Social da Cultura. Suas vivências têm dialogado com movimentos sociais e mediação cultural, na interface entre educação, museu, cidade e território. As principais linhas de pesquisa incluem: História Social da Cultura, com ênfase em educação e cultura na América Latina; História intelectual; política cultural; democratização; democracia cultural; processos e práticas pedagógicas decoloniais.

Sua pesquisa tem como objetivo investigar experiências instituintes nas relações entre museus de arte, territórios e agenciamentos comunitários. Se compreende como experiências instituintes a instauração de processos que se orientam em aprendizados com os públicos, colocando em prática um novo modo de fazer e pensar as pedagogias nos e com os museus e sua função social. A partir da investigação das práticas de programas educativos com os territórios no qual estão inseridos, entoa-se as seguintes questões: é possível mapear transformações nos modos de fazer e pensar que escapem ao imperativo disciplinador e colonizador, presentes nas origens dos campos da educação, cultura e museus? As experiências com os públicos são capazes de gerar uma revisão epistemológica e reinvenção metodológica em resposta a ideia de sujeitos precários e precariedade dos públicos construída pelos próprios museus? Partindo do estudo de casos, experimentações propositivas e investigações documentais em museus latino-americanos pretende-se discutir a agência dos públicos na revisão historiográfica, elaboração estética e crítica no e com os museus.

Selecionada ao Programa de Bolsa de Pesquisa MAM | CAPACETE no eixo Arte e pedagogia, educação formal e informal.


taineura z

Artista, fotógrafa, educadora e colaboradora no Orgâni.Co. Utiliza a imagem como memória mágica e conectiva, explora seus desejos de conhecimento territorial para reconhecimentos sociais. Suas experimentações visuais vividas por fotografias, vídeo-artes, colagens, foram suas ferramentas de autoconhecimento ao investigar os meios urbanos que habita, as vivências são guias que fortalecem o trabalho de registros. Reconhece a resistência sobre lógicas colonialistas e pesquisas flertam com arte-educação.


Rastros de Diógenes

Rastros de Diógenes é objeto de artes de Diógenes M. Potiguara, Mamanguape, artista multimídia, andarilha y feiticeira. Enquanto bixa potiguara y não binária, na encruzilhada desses trópicos, investigo nas artes as possibilidades de intervenção poética y pedagógica de cunho contra colonial orientada pelo desejo de uma outra iconografia y futuro para essa corpa hibrida. Através do user ‘rastros de diógenes’ desenvolvo performances y esquemas pedagógicos y/ou visuais, na presença y virtualidade, na grafia de uma memória espiralada.


Rainha F

Artista multimídia. Costureira e stylist, Rainha Favelada é filha da favela do Batan, em Realengo, no Rio de Janeiro. Estudante de Belas Artes na Universidade Federal do Rio de Janeiro, investiga os códigos e simbologias matrimoniais. Com Enxoval, integrou o painel de performance da SP -Arte 2018, participou de Vesícula, coletiva na galeria Breu e do ajudamento Arrebatrá, no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica. Foi bolsista do Elã- O Nome que se dá às coisas, no Galpão Bela Maré.

 


Rack&Derret

Rack é um artista plástico, pintor e ilustrador que desenha desde criança, influenciado por seu ambiente familiar e pela mídia, passa sua perspectiva artística através do acúmulo de vivências e referências da Cultura Diaspórica (Preta). Como artista plástico se expressa para além da pintura tradicional experimentando várias técnicas e elementos chegando neste momento na escultura com base em madeira e materiais reciclados. A partir da sua arte Rack pretende expor suas várias facetas e ciclos explorando e libertando sua subjetividade do lugar do tempo, da caixa, do passado do futuro que a sociedade ocidental o submete a todo tempo o seu corpo.


Mayara Velozo

Moradora do Morro do Salgueiro na Tijuca zona norte do Rio de Janeiro, cursa História da Arte na UERJ, é artista visual, poeta e já foi até cordelista. Suas experiências artísticas permeiam entre performance, fotoperformance, poemas e videoinstalação. Seus projetos vêm de uma temática construtiva, e tem uma poética do concerto com os outros e com ela mesma, habitando sua casa e seus lugares de convivo. Mayara fala de uma construção pessoal e coletiva, de lembranças e ideias que por muito tempo se passaram despercebidas. Do feitio autônomo de sua família de construir e reconstruir sonhos arquitetônicos




Iah Bahia

Formação tecnóloga em Design de Roupas e uma formação livre em artes pela Escola de Artes Spectaculu e pela Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Possui prática-pesquisa em artes a partir das observações e experimentações interdisciplinares que faz do mundo a partir da superfície e a do órgão-pele em conjunto as forças atribuídas fora e dentro do corpo, as borbulhações geradas a partir das raízes criadas no asfalto e os saberes enterrados pelo cimento da modernidade.



Gabriela Noujaim

Gabriela Noujaim tem estruturado sua poética nos limites e possibilidade da gravura, com interesse em vídeos, fotografias, livros de artista, objetos e instalação, tensionando as possibilidades em imaginar outros mundos e futuros, onde as noções de permanência e risco são questionadas, como a defesa sobre a violação aos corpos, as crises políticas e desastres ambientais.



Ana Clara Tito

Nascida em Bom Jardim, RJ, em sua pesquisa utiliza do corpo e seus estados emocionais/mentais como ponto de partida e de chegada. Seus trabalhos cruzam fotografia, performance e instalação, integrando a matéria como corpo agente e explorando as relações entre material e imaterial. Pensa sua prática artística como desenvolvimento de um modus e de um universo baseado em permissão e possibilidade, movimentando e pensando: intimidade, privado, corpo-construção, inconclusão, não linearidade, complexidade, instabilização, desestabilização, não cabimento, não cessamento, não contimento.


Programas MAM | CAPACETE: Convocatória para os programas de residência e bolsa de pesquisa

 

#MAMCapacete | Está aberta a convocatória para residências artísticas e bolsas de pesquisa do MAM | Capacete. A parceria faz parte de projeto mais amplo do MAM de dar à educação um papel mais central na instituição, junto com o Capacete, residência mais antiga do país, que passa a ter parte de suas atividades sendo realizadas no museu. ⠀


Enquanto durar a quarentena, as atividades serão realizadas online e depois presencialmente no espaço do museu. Na residência, que se inicia em agosto desse ano, 12 artistas serão contemplados. Os participantes terão um auxílio mensal de R$ 750 (durante a modalidade virtual) e R$ 1 mil (fase presencial). Já no caso da bolsa de pesquisa, serão concedidas seis bolsas (de R$ 1.500/mês), ao longo de um semestre, a partir de setembro. ⠀

Os programas são voltados para profissionais do campo das artes e áreas relacionadas que moram no Rio de Janeiro que queiram trabalhar com os seguintes eixos:⠀

1. Arquitetura do MAM, urbanismo, paisagismo do Parque do Flamengo;⠀
2. Arte e pedagogia, educação formal ou informal;⠀
3. Saberes e causas indígenas;⠀
4. Arte africana diaspórica;⠀
5. Museu e biodiversidade;⠀
6. Espaços de arte experimentais e espaços de arte autônomos.⠀

As inscrições vão até o dia 10 de julho e devem ser realizadas via formulário (http://tiny.cc/k78yrz), todas as informações sobre a convocatória estão no formulário abaixo em pdf.

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Parceria MAM | CAPACETE

 

O Museu de Arte Moderna do Rio e o programa de residências e intercâmbio artístico-cultural CAPACETE deram início a uma parceria institucional em março de 2020, quando começou a ser desenvolvido o projeto de transferência de parte das atividades do CAPACETE para o museu. Inicialmente pensado para acontecer no espaço físico do museu, em sua sede no Parque do Flamengo, o projeto teve de sofrer adaptações para poder ser iniciado em espaços virtuais enquanto durar a quarentena decorrente da pandemia do Covid-19. A parceria entre o CAPACETE e o MAM é alavancada pelo patrocínio do Grupo PetraGold ao MAM.

A parceria faz parte de projeto mais amplo do MAM de restituir à educação um papel central na instituição, desde cedo definida como um museu-escola. A meta é reabrir o Bloco Escola, o pavilhão dedicado ao ensino e à prática artística, que foi o primeiro edifício a ser construído na sede definitiva do museu.

O objetivo da parceria MAM | CAPACETE é desenvolver residências artísticas, fomentar pesquisas, intercâmbios internacionais e realizar programação pública de diálogos e outras atividades no espaço do museu. A parceria está prevista para durar dois anos.

“A parceria MAM | CAPACETE traz a oportunidade de abertura do museu para uma nova interação com projetos culturais de grande relevância no cenário nacional e internacional”, diz o diretor-executivo do MAM, Fabio Szwarcwald. “O MAM está apoiando os processos que sustentam a teoria-prática da arte, buscando a reflexão. O MAM se permite ser uma instituição mais orgânica, mais conectada com a sociedade”.

Criado em 1998 pelo artista plástico Helmut Batista, na cidade do Rio de Janeiro, o CAPACETE é o mais antigo e o mais estruturado programa de residência e intercâmbio artístico-cultural no Brasil. Com sede no bairro da Glória, vizinho ao centro do Rio, o CAPACETE faz apresentações públicas em diversos modelos, formação para profissionais (Escola CAPACETE) e para crianças (Pequeno Laboratório), cursos abertos, cozinha experimental, biblioteca, acervo e publicações. Mais de 450 profissionais de diversos países já passaram pelo programa.

“O CAPACETE tem realmente uma tradição e uma confiança internacional muito grande e muitas parcerias internacionais que podem ajudar a alavancar um programa específico dentro do MAM. Eu acho que o Fabio Szwarcwald soube entender isso e quer juntar forças para fazer um programa maior”, diz Helmut Batista. “A gente sempre considerou que a atuação do CAPACETE deveria ser na sua região. O MAM fica no nosso raio de ação. O Bloco Escola foi o carro-chefe da sua época -deu na Escola de Artes Visuais do Parque Lage-, está ali hibernando e agora vai passar por uma transformação”, diz Helmut. “O convite veio muito a calhar no processo que o próprio CAPACETE vinha passando: uma fase de transformação, com a Camilla Rocha Campos na direção, o CAPACETE se tornando cada vez menos a minha pessoa. Este é um processo desejado, provocado e incentivado.”

“Apesar da longevidade, o CAPACETE é um programa pequeno, que atua em um campo muito restrito. A visibilidade que o MAM pode dar para o CAPACETE também é incrível, vamos poder nos inserir mais no contexto brasileiro. Os programas que a gente desenhou para o MAM são basicamente o que a gente sempre fez: residências no formato de seminários”, conta Helmut.

“Temos em torno de 20 a 25 residentes anuais vindos de diferentes países; oferecemos programas de 3, 6 e 12 meses de duração”, conta Camilla Rocha Campos, diretora artística do CAPACETE. “Nosso programa de 1 ano é a espinha dorsal das nossas atividades. Atuamos como um centro de pensamento onde acontecem seminários, falas públicas, workshops, visitas personalizadas, viagens de estudo e projetos experimentais de arte. A parceria MAM | CAPACETE  será para nós um exercício de coabitação e respeito entre um organismo histórico brasileiro e um espaço (histórico) independente. O CAPACETE traz o diálogo sobre novas estratégias de como criar parcerias que atuam com estruturas menos burocráticas, comunitárias, e visa apoiar pesquisas e práticas artísticas que dialogam criticamente e para além do sistema mainstream da arte”.

Através de atividades contínuas, o CAPACETE tem como missão constituir situações e desenvolver estratégias que forneçam alternativas concretas e reais ao movediço campo da arte. As atualizações e os programas de residência já realizados foram desenhados para refletir o caráter interdisciplinar das práticas éticas-estéticas contemporâneas e promover esforços que articulam o mundo teórico com apresentações artísticas em diversos formatos e dinâmicas, e para diferentes públicos.

Equipe MAM | CAPACETE
Fabio Szwarcwald, Lucimara Letelier, Helmut Batista, Camilla Rocha Campos, Luis Marcelo Mendes, Fernanda Lopes e Márion Strecker.