Parceria MAM | CAPACETE

 

O Museu de Arte Moderna do Rio e o programa de residências e intercâmbio artístico-cultural CAPACETE deram início a uma parceria institucional em março de 2020, quando começou a ser desenvolvido o projeto de transferência de parte das atividades do CAPACETE para o museu. Inicialmente pensado para acontecer no espaço físico do museu, em sua sede no Parque do Flamengo, o projeto teve de sofrer adaptações para poder ser iniciado em espaços virtuais enquanto durar a quarentena decorrente da pandemia do Covid-19. A parceria entre o CAPACETE e o MAM é alavancada pelo patrocínio do Grupo PetraGold ao MAM.

A parceria faz parte de projeto mais amplo do MAM de restituir à educação um papel central na instituição, desde cedo definida como um museu-escola. A meta é reabrir o Bloco Escola, o pavilhão dedicado ao ensino e à prática artística, que foi o primeiro edifício a ser construído na sede definitiva do museu.

O objetivo da parceria MAM | CAPACETE é desenvolver residências artísticas, fomentar pesquisas, intercâmbios internacionais e realizar programação pública de diálogos e outras atividades no espaço do museu. A parceria está prevista para durar dois anos.

“A parceria MAM | CAPACETE traz a oportunidade de abertura do museu para uma nova interação com projetos culturais de grande relevância no cenário nacional e internacional”, diz o diretor-executivo do MAM, Fabio Szwarcwald. “O MAM está apoiando os processos que sustentam a teoria-prática da arte, buscando a reflexão. O MAM se permite ser uma instituição mais orgânica, mais conectada com a sociedade”.

Criado em 1998 pelo artista plástico Helmut Batista, na cidade do Rio de Janeiro, o CAPACETE é o mais antigo e o mais estruturado programa de residência e intercâmbio artístico-cultural no Brasil. Com sede no bairro da Glória, vizinho ao centro do Rio, o CAPACETE faz apresentações públicas em diversos modelos, formação para profissionais (Escola CAPACETE) e para crianças (Pequeno Laboratório), cursos abertos, cozinha experimental, biblioteca, acervo e publicações. Mais de 450 profissionais de diversos países já passaram pelo programa.

“O CAPACETE tem realmente uma tradição e uma confiança internacional muito grande e muitas parcerias internacionais que podem ajudar a alavancar um programa específico dentro do MAM. Eu acho que o Fabio Szwarcwald soube entender isso e quer juntar forças para fazer um programa maior”, diz Helmut Batista. “A gente sempre considerou que a atuação do CAPACETE deveria ser na sua região. O MAM fica no nosso raio de ação. O Bloco Escola foi o carro-chefe da sua época -deu na Escola de Artes Visuais do Parque Lage-, está ali hibernando e agora vai passar por uma transformação”, diz Helmut. “O convite veio muito a calhar no processo que o próprio CAPACETE vinha passando: uma fase de transformação, com a Camilla Rocha Campos na direção, o CAPACETE se tornando cada vez menos a minha pessoa. Este é um processo desejado, provocado e incentivado.”

“Apesar da longevidade, o CAPACETE é um programa pequeno, que atua em um campo muito restrito. A visibilidade que o MAM pode dar para o CAPACETE também é incrível, vamos poder nos inserir mais no contexto brasileiro. Os programas que a gente desenhou para o MAM são basicamente o que a gente sempre fez: residências no formato de seminários”, conta Helmut.

“Temos em torno de 20 a 25 residentes anuais vindos de diferentes países; oferecemos programas de 3, 6 e 12 meses de duração”, conta Camilla Rocha Campos, diretora artística do CAPACETE. “Nosso programa de 1 ano é a espinha dorsal das nossas atividades. Atuamos como um centro de pensamento onde acontecem seminários, falas públicas, workshops, visitas personalizadas, viagens de estudo e projetos experimentais de arte. A parceria MAM | CAPACETE  será para nós um exercício de coabitação e respeito entre um organismo histórico brasileiro e um espaço (histórico) independente. O CAPACETE traz o diálogo sobre novas estratégias de como criar parcerias que atuam com estruturas menos burocráticas, comunitárias, e visa apoiar pesquisas e práticas artísticas que dialogam criticamente e para além do sistema mainstream da arte”.

Através de atividades contínuas, o CAPACETE tem como missão constituir situações e desenvolver estratégias que forneçam alternativas concretas e reais ao movediço campo da arte. As atualizações e os programas de residência já realizados foram desenhados para refletir o caráter interdisciplinar das práticas éticas-estéticas contemporâneas e promover esforços que articulam o mundo teórico com apresentações artísticas em diversos formatos e dinâmicas, e para diferentes públicos.

Equipe MAM | CAPACETE
Fabio Szwarcwald, Lucimara Letelier, Helmut Batista, Camilla Rocha Campos, Luis Marcelo Mendes, Fernanda Lopes e Márion Strecker.


Serpent Rain – a talk about time and the elements

In this conversation, Denise Ferreira da Silva and Camilla Rocha Campos discuss issues raised 
in the movie Serpente Rain (Arjuna Neuman and Denise Ferreira da Silva, 2016). 
Although these themes aim to expand on various propositions presented in the film, 
Denise and Camilla will attempt to expand the elaboration of the questioning of temporality and 
the ethical and aesthetic openings suggested by the elementarities, that is, an image of the world 
in which transformation is contemplated as an infinite movement of re / de / composition.

Dr. Denise Ferreira da Silva’s academic writings and artistic practice address the ethical questions 
of the global present and target the metaphysical and ontoepistemological dimensions of modern thought.
She is a Professor and Director of The Social Justice Institute (GRSJ) at the University of British 
Columbia, Adjunct Professor of Fine Arts, at Monash University (Melbourne, Australia), 
and Visiting Professor of Law, at Birkbeck University of London. She is the author of Toward a 
Global Idea of Race  and co-editor of Race, Empire, and The Crisis of the Subprime 
(with Paula Chakravartty) . Her art-related work includes texts for publications linked to the 
2016 Liverpool and and Sao Paulo Biennales, Venice 2017, and Documenta 14, as well as collaborations 
such as the play Return of the Vanishing Peasant, with Ros Martin, the films Serpent Rain (2016) 
and 4Waters-Deep Implicancy (2018), with Arjuna Neuman; and events (performances, talks, and private 
sessions) and texts related  Poethical Readings and the Sensing Salon, with Valentina Desideri.

Camilla Rocha Campos - Artist, teacher, researcher, writer and self-revolutionary. 
Her artistic practice is collaborative, built through the contribution of people in contexts 
full of emotion and criticism. In this relational field Camilla proposes art and non-art experiences. 
She participates in seminars, talks and projects in Brazil and other countries, building and sharing 
aesthetic / artistic processes from non-hegemonic logics. In 2016, she was a resident artist at the 
CAPACETE International Program, in Rio de Janeiro, where since 2017 she has been the director. 
She holds a master's degree in Art Theory and Criticism from the UERJ Arts Institute. She is currently 
teacher at Parque Lage Art School and at Maré Art School.

Silvia Rivera Cusicanqui em CORPO PÁ

 

 

Silvia Rivera Cusicanqui é fundadora do Taller de História Oral Andina e do grupo autogestionado Coletivx Ch’ixi. Trabalha temas como memória, oralidade e movimentos sociais indígenas populares, principalmente na região Aymara. Silvia vem ao CAPACETE para participar do programa CORPO PÁ, um programa de trocas intensivas que tocam as relações ancestrais entre corpo, memória, território e produção de conhecimento afim de trocar e praticar estratégias para encontrar a linguagem dos rituais, da dança, do sonho, do trabalho cênico, da ecologia, da artesania, dentre outros, numa combinação da prática artística com a prática comunitária.

 

corpo pá com silvia rivera cusicanqui