Participantes

 

O CAPACETE opera no nível do para-acadêmico e as inscrições para o programa são gratuitas e abertas para candidatos de qualquer idade, de todo o mundo, e que atuam na área da cultura. No entanto, a prioridade do programa é para pesquisadores em início de carreira. Não é imperativo que os candidatos possuam diploma universitário para sua elegibilidade, mas espera-se que o candidato tenha dedicação consistente em relação a sua própria investigação. Os candidatos podem ter uma formação educacional ou interesse em diferentes disciplinas (antropologia, dança, etc.), no entanto, é importante que os candidatos entendam as diretrizes do programa. Note-se que este programa herda e transforma 16 anos de atividades do CAPACETE Entretenimento. Assim, a fim de que se tenha uma melhor compreensão do CAPACETE, recomendamos olharem o documento em anexo, a fim de entender as especificidades deste cenário e contexto.

O CAPACETE reúne profissionais de diferentes formações e que estão totalmente investidos em sua prática. Portanto, será exigido que o participante conceda dedicação integral às atividades globais do programa .


Os participantes do programa 2016 são:

Anna Bak (Dinamarca)
Aurélia Defrance (França)
Caetano Maacumba (Brasil)
Camilla Rocha Campos (Brasil)
Ian Erikson-Kery (E.U.A.)
Jonas Lund (Suécia)
Julia Retz (Brasil)
Marilia Loureiro (Brasil)
soJin Chun (Canadá)
Soledad Leon (Chile)
Tali Serruya (Argentina)
Thora Doven Balke (Noruega)

Os participantes do programa 2015 são:

Caroline Valansi (BRASIL),
Daniel Jablonski (BRASIL),
Giseli Vasconcelos (BRASIL),
Lucas Sargentelli (BRASIL),
Joen Vedel (DINAMARCA),
Adeline Lepine (FRANCA),
Oliver Bulas (ALEMANHA),
Tanja Baudoin (HOLANDA),
Félix Luna (MEXICO),
Andrew de Freitas (NOVA ZEALÂNDIA),
Asia Komarova (RUSSIA),
Refilwe N Nkomo (AFRICA DO SUL),
Maricruz Alarcon (CHILE)


Participantes do programa 2016

Andrea Fraser

Andrea conduzirá uma oficina de quatro dias focada em uma série de abordagens psicanalíticas às relações de grupo, engajamento artístico e performance. O workshop irá incluir uma discussão de leituras que serão disponibilizadas; auto-estudo experimental de processo em grupo; exercícios de performance; e discussões em grupo de projetos dos participantes aplicando métodos variados.

Andrea Fraser é uma artista baseada em Los Angeles, cujo trabalho tem se identificado com performance, feminismo, arte contextual e crítica institucional. Ela foi uma membro-fundadora do grupo de performance feminista The V-Girls (1986-1996), da iniciativa baseada em projetos artísticos Parasite (1997-1998) e da galeria de arte cooperativa Orchard (2005-2008). Entre os livros sobre os seu trabalho estão A Society of Taste, Kunstverein München, 1993; Report, EA-Generali Foundation, 1995; Andrea Fraser: Works 1985-2003, Dumont Buchverlag, 2003; Museum Highlights: The Writings of Andrea Fraser, MIT Press, 2005, e Texts, Scripts, Transcripts, Museu Ludwig Köln, 2013. O Museu Ludwig Köln apresentou uma retrospectiva de seu trabalho em 2013, em conjunto com o recebimento do Prêmio Hahn Wolfgang. Ela é professora de Novos Gêneros no Departamento de Arte da Universidade da Califórnia, Los Angeles e docente visitante no Whitney Independent Study Program.

Pedro de Niemeyer Cesarino

Humanidade, pessoa e multiplicidade

O seminário tratará de refletir sobre as variações e transformações da noção de “humano” em distintos regimes ontológicos, tendo em vista os problemas da multiplicidade, da conexão, das relações de vizinhança, de limite e de devir. Serão apresentados casos provenientes de estudos etnográficos sobre sociedades ditas tradicionais ou não-ocidentais, a serem articulados com reflexões produzidas sobre o contexto hipercapitalista contemporâneo. Pretende-se, em outros termos, oferecer elementos para a compreensão de determinadas configurações do corpo e da pessoa envolvidos em distintos estatutos de humanidade e seus respectivos regimes de criatividade e de expressão.

Pedro de Niemeyer Cesarino é graduado em filosofia pela Universidade de São Paulo, mestre e doutor em antropologia social pelo Museu Nacional/ UFRJ. Deselvolve pesquisas em etnologia indígena (com ênfase em estudos sobre xamanismo e cosmologia), tradições orais, tradução e antropologia da arte. Foi Professor-Adjunto de Antropologia da Arte no Departamento de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo. Atualmente, é professor do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo, na área de pesquisa Antropologia das Formas Expressivas. É autor de Oniska – poética do xamanismo na Amazônia (São Paulo, Perspectiva, 2011) e Quando a Terra deixou de falar – cantos da mitologia marubo (Editora 34, 2013) e de diversos artigos publicados em revistas especializadas. Nos últimos anos, publicou também textos literários e trabalhos de dramaturgia.

 Leandro Cardoso Nerefuh

No contexto atual de previsões catastróficas de ‘fim do mundo’ por conta da ação humana destruidora dos sistemas da terra – acarretando mesmo em um novo período geológico: o antropoceno – esse módulo do programa vai desviar da nossa rota de colisão apocalíptica e apontar para algumas alternativas de futuro ou futurismos alternativos. Mais especificamente, iremos revisitar algumas propostas de cunho ‘futurista’ conforme articuladas na arte brasileira. Ou melhor, conforme articuladas a partir do ‘Brasil’ para o mundo. Propostas que aparecem no campo estético-experimental de forma sintética e programática. Isto é, não conclusiva e nem explicativa. E talvez por isso mesmo permaneçam a margem (como potencia) em relação a uma historiografia da arte global. São elas: Tecno-primitivismo, Tecno-brega, Construtivismo Tabaréu, Afrofuturismo, Exuberância Órfica. Frente a capitalismos informacional, cognitivo, tardio, desértico, solar, etc., o que essas propostas carregam de essencial é um giro tecnológico da diferença. A apropriação e a invenção tecno de todas as ordens: ultra hi-tech, ocultas, primitivas… que podem fornecer possibilidades de vislumbrar outros tipos de relações entre humanos, não-humanos e o planeta, e mesmo o cosmos.

A partir de exemplos da poesia, kinema, literatura, música, teoria especulativa e cultura popular, esse módulo do programa irá traçar uma genealogia de certas ideias de futuro alternativo e pensar no seu potencial para os dias de hoje. Além de desenvolver exercícios práticos a serem realizados em grupo. O módulo contará ainda com a participação de artistas convidados.

 Leandro Nerefuh (1975) vive em Sum Paulu, Brasil. É artista-pesquisador graduado em História da Arte (Goldsmiths College, 2007) e mestrado em Estudos Culturais (London Consortium, 2009). Trabalha com a tradução formal de narrativas históricas, com especial interesse pela América Latina. Entre exposições recentes, destacam-se ‘Radical Software’, W139, Amsterdam; ‘33 Panorama da Arte Brasileira’, MAM – SP; ‘Agitprop Abyssal’, Galeria Nacional Zacheta, Varsóvia; ‘Contra Escambos’, Palácio das Artes, Belo Horizonte; ‘Mobile Radio’, 30 Bienal de São Paulo; ‘Arquivo Banana’, 17 Festival Sesc VideoBrasil; ‘Memorias Disruptivas’, Museu Reina Sofia Madrid; ‘Talk Show’, Institute of Contemporary Arts, Londres. Leandro é também membro- fundador do PPUB, Partido pela Utopia Brasileira, atuante no Brasil, Paraguai e Uruguai.

Max Jorge Hinderer Cruz

O que é ideologia? E que é a crítica da ideologia? A ideologia é sempre anterior a nossa fala? Necessariamente determina o que pensamos? Determina a quem amamos e com quem brigamos? É só em nossa cabeza, ou tem a ver com nossos sentimentos, nossos corpos, nossos desejos, os psicotrópicos que consumimos? Partindo de discursos da década do 1960 o curso vai procurar entender em qué consistiu o que chamaremos de “giro estético” da crítica da ideologia pós-marxista, e falando em sexo, drogas e rock’n’roll articularemos práticas estéticas (e artísticas) com noções como a da “Micropolítica” e a “Microfísica do poder” para entender as formas e forças que governam nosso cotidiano.

Max Jorge Hinderer Cruz é um escritor e editor boliviano-alemão, e vive em São Paulo. Junto com Suely Rolnik, Pedro Cesarino e Amilcar Packer integra o núcleo coordenador do Programa de Ações Culturais Autônomas (P.A.C.A.). Foi curador do projeto de exposição e publicação “Principio Potosí”, apresentado no Museo Reina Sofia em Madri, o Haus der Kulturen der Welt de Berlim, e no Museo Nacional de Arte e MUSEF de La Paz em 2010 e 2011; e é autor do livro “Hélio Oiticica e Neville D’Almeida: Cosmococa” publicado por Afterall/MIT Press em 2013 e Capacete Entretenimentos e a editora Azougue, Rio de Janeiro em 2014.