Arquivos de Resistência

postal2liviano

Quarta 16 Novembro, das 19h as 22h

Quinta 17 Novembro, das 17h as 21h

Sexta 18 Novembro, das 17h as 21h

Arquivos de Resistência é um programa de três dias que junta artistas, ativistas, e o público para discutir estratégias narrativas de movimentos sociais e conscientização política.

O programa é acompanhado por três artistas convidados que trabalham com arquivos fotográficos e materiais históricos de resistência anticolonial e não-normativa para criar  ferramentas para as lutas atuais.

O foco central do programa é abrir diálogos sobre diferentes narrativas de luta e estabelecer pontos de conexão e aliança entre diversar comunidades.

O programa será moderado por soJin Chun e Ian Erickson-Kery

PROGRAMAÇÃO

Quarta-feira (19h-21h):

Para ver: exibição de filmes de Joyce Wieland (apresentados por Lauren Howes, diretora executiva do CFMDC, Canadá), Cecilia Estalles (Argentina), Marton Robinson (Costa Rica), e o coletivo Araya-Carrión (Chile), seguida de conversa entre Howes e os artistas convidados. Os filmes de Wieland são feitos a partir de arquivos dos anos 30 aos anos 70. Wieland se intitulava “ativista cultural” e ficou renomada por obras que tratavam da identidade nacional canadense desde uma perspectiva feminista em um ambiente artístico dominado por homens.

Para comer: Kadija de Paula & Chico Togni vão arquivar um alimento dentro do outro em um processo de engastração vegana, inspirado no clássico turducken canadense.

Para beber: as revolucionárias cervejas artesanais da Tito Bier diretamente de São Paulo!

Quinta-feira (17h-21h):

Apresentação do trabalho do coletivo chileno Araya-Carrión, seguida por uma atividade proposta pelos próprios artistas, em um método de leitura e ativação do espaço urbano e histórico.

Sexta-feira (17h-21h):

Apresentação do trabalho de Marton Robinson, seguida por uma conversa aberta e uma atividade coletiva proposta pelo artista.

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Araya-Carrión são os artistas chilenos, Jaime Araya Miranda e Manuel Carrión Lira. No contexto deste programa, apresentarão seu projeto em Neptume, uma comunidade no sul do Chile onde colecionaram arquivos materiais e fotográficas em colaboração com os moradores. Seu arquivo inclui amostras de uma montanha de serragem de 80 anos, coletada em uma serraria na cidade, que serve como testemunho material dos processos de transformação levados a comunidade através das várias formas de colonização.

Cecilia Estalles é artista e fotógrafa. Seu trabalho foca predominantemente em práticas coletivas e ativistas, particularmente na documentação de movimentos queer e feminista. Ela é criadora do Arquivo de Memória de Mulheres Trans, para o qual ela coleta e digitaliza fotografias de mulheres trans em Buenos Aires da década de 70 até os anos 2000, muitas delas assassinadas pela polícia. Apesar da aprovação da lei de identidade de gênero na Argentina em 2012, mulheres trans continuam enfrentando várias formas de discriminação.

CFMDC é, desde 1967, um líder na distribuição de filmes independentes de artistas para telas em toda parte. O distribuidor conta com 3850 títulos no catálogo, incluindo entre os mais respeitados e originais obras de arte fílmicas. Distribui todo gênero de filme independente, feito por mais de 1000 membros. CFMDC é recurso crítico para curadores, programadores, instituições de ensino, festivais, museus, e emissores pelo mundo inteiro.

Martón Robinson é descendente segunda-geração de imigrantes jamaicanos na Costa Rica. Cresceu em San José, onde a história da luta é evidente hoje na herança e identidade afro-latina. Sua obra narra essa historia e enfrenta o carácter problemático das representações dos afrodescendentes na cultura popular através de vídeo, instalação, e gravura.


Respira Conspira

Respira Conspira - cartaz A3

 

RESPIRA  CONSPIRA

␣␣␣␣␣␣ tudo  que ␣␣␣␣␣␣␣ ␣␣␣␣␣␣␣␣ -­  Paulo  Leminski

Conspirar:  do  latim  conspirare:  agir  em  harmonia,  conspirar,  equivalente  a  con  +  expirar;;  respirar:  respirar  junto            Conspirar  frequentemente  tem  uma  conotação  negativa;;  um  jogo  estratégico  sombrio,  uma  aliança  para  um  golpe   ␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣ sentidos,  para  ser  mais  atento  aos  sinais  e  pensamentos  do  outro;;  vozes  baixas  que  respiram  o  mesmo  ar.            RESPIRA  CONSPIRA  é  uma  ␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣  iniciada  por  Camilla  Rocha  Campos  e  Thora  Dolven  Balke  que  visa   ␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣ que  orientam  corpos  quanto  seus  contextos  sociais,  com  o  intuito  de  buscar  outros  movimentos  possíveis  a  partir   de  uma  situação  dada.  Essa  pesquisa  aberta  será  apresentada  ao  longo  de  7  dias,  entre  os  dias  7  e  14  de  

novembro  de  2016  no  CAPACETE.   Todos  os  eventos  são  gratuito  e  terão  tradução  sussurrada  entre  português  e  inglês.  

Segunda  &  Terça  das  17:00  às  20:00 Workshop  com  Humberto  Velez  (PA/UK) Participativo  –  um  workshop  sobre  projetos  de  arte  públicos  e  participativos  desenvolvido  para  Respira  Conspira   no  Capacete.  O  workshop  visa  examinar  as  possibilidades  de  colaborações  e  coletividades,  porquê  e  como  artistas   trabalham  com  grupos  e  comunidades;;  quais  seus  interesses  comuns,  suas  necessidades  e  como  são  …

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Quarta  9/11  das  19:30  às  22:30  h Falatório  com  residentes  Capacete  2016 Começando  com  a  conspiração  que  se  instaura  na  residência  Capacete,  essa  conversa  com  os  residentes  do   Programa  de  2016  irá  considerar  questões,  movimentos,  outras  conspirações  e  experiências  que  se  manifestaram   ao  longo  de  8  meses  de  convivência,  fora  e  dentro  da  residência.

Niqui  Tapume   O  artista  Marssares  (BR)  irá  construir  uma  nova  estrutura  física  para  Capacete,

Cozinhando  Respira  Conspira   A   auto-­revolucionária   e   chef   residente   do   Capacete   Kadija   de   Paula   (BR)   irá   nutrir   xs   participantes   do   Respira   Conspira  junto  a  outrxs  chefs  convidadxs  ao  longo  dos  encontros.

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Quinta  10/11  das  15:00  ás  17:00  h Falatório  com  Ella  (BR)  e  convidadx  surpresa  (?) Ella   é   um   coletivo   de   mulheres   artistas-­pesquisadoras.   Ella   é   uma   experiência   de   criação   de   um   Medium   para   ativações  de  pensamentos  e  ações  de  trabalho  de  arte.  O  coletivo  se  formou  a  partir  do  encontro  entre  mulheres   artistas,  estudantes  e  pesquisadoras  da  Escola  de  Belas  Artes  da  UFRJ  no  desejo  de  desconstruir  as  hierarquias   tradicionais  do  ensino  de  arte  na  universidade  e  explorar  territórios  de  arte  na  cidade.

das  17:30  às  20:00  h Conversa  restaurativa  com  Dominic  Barter  (BR/UK)   Dominic  Barter  trabalha  com  inovações  sociais  baseadas  no  diálogo,  empatia  e  parceria.  Em  meados  dos  anos  90   ele  desenvolveu  os  Círculos  Restaurativos,  uma  prática  baseada  no  empoderamento  comunitário  para  dinâmicas…

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Sexta  11/11  das  17:00  às  19:00 Leitura  grupal  com  Ian  Ericksson-­Kery  (US) Ian  é  escritor,  pesquisador  e  tradutor  com  foco  na  interseção  entre  arte  e  ativismo  político.  Ele  organiza  grupos  de   leitura  com  certa  frequência  no  Rio  de  Janeiro,    envolvendo  traduções  e  enunciações  coletivas.  Um  dos  postulados   desses  encontros  é  estabelecer  tempo  para  articular  desejos  coletivamente  tendo  em  vista  o  individualismo   recorrente  que  privatiza  o  presente  e  o  futuro.  Para  Respira  Conspira  ele  ira  propor  um  texto  para  ser  lido  e  discutido   juntx.

das  19:15  ás  22:30 Som   conversa   com   Marssares   (BR),   Lilian   Zaremba   (BR),   Caetano   (BR),   Gaby   Hartel   (DE),   Thora   Dolven  Balke  (NO),  Leandro  Nerefuh  (BR)  e  Daniel  Sant’Anna  (BR)   Nessa   conversa   os   participantes   trabalham   com   sons   e   música   de   variadas   formas;;   como   artistas,   curadores,   professores,   pesquisadores,   produtores   e   escritores,   por   exemplo.   Eles   irão   trazer   sons,   barulhos,   gravações   e…

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Sábado  12/11  das  17:00  às  19:00

␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣ participantes  irao  coletivamente  apresentar  e  falar  sobre  suas  impressões  ao  longo  do  workshop.

das  19:00  às  22:30 Respira  o  corpo  conspira  com  Trine  Falch  (NO),  Michelle  Mattiuzzi  (BR),  Camilla  Rocha  Campos  (BR)   e  Tali  Serruya  (AR/FR) Momento  em  que  o  corpo  é  o  condutor  de  ações  entre  pessoas  presentes  como  uma  reação  a  noção  de   conspiração  -­  criação  de  outros  movimentos  baseados  em  situações  e  histórias  recorrentes  trazendo  variadas   perspectivas  de  entendimento  e  expressão.   Trine Falch␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣ Respira   Conspira   junto   às   pessoas   presentes.   Michelle   Mattiuzzi   é   uma   artista   que   usa   seu   próprio   corpo   para   tornar  visível  narrativas  histórica  e  atuais.  Através  de  contribuição  de  pessoas  Camilla  Rocha  Campos  irá  fazer   bolhas  e  construir  um  contexto  carregado  de  humor  e  crítica.  Tali  Serruya  irá  apresentar  um  exercício  entorno  da   reação  físico  e  emocional  através  do  contágio  que  tendem  a  se  espalhar  entre  grupos  e  pessoas.

Caminhada  de  mulheres  com  Julia  Retz  (BR)  e  Aurelia  Defrance  (FR) As  caminhadas  de  mulheres  são  convites  para  criar  um  momento …  para  se  reunir,  para  guiar  e  ser  guiado  em  uma  deriva  coletiva   ␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣ …  para  entender  o  tecido  urbano  de  que  fazemos  parte ␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣␣ …  para  encontrar  a  potência  dentro  da  coletividade



FUTUROS SEQUESTRADOS VS. ANTI-SEQUESTRO DOS SONHOS, OU tratando de contribuir para um novo plex multiversal

CURSO IMERSIVO/ clínica*arte
De 20 a 30 de maio-2016, Rio de Janeiro

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EQUIPE:  Peter Pál Pelbárt, Fabiane M. Borges, Leandro Nerefuh, Marcelo Marssares, Paola Barreto, Giseli Vasconcelos, Rafael Frazão

 

TAGS: Futurologia, cibernética, tecnoprimitivismo, ficção científica, tecnoxamanismo, antropoceno, práticas rituais, onto-ficção, interescritura, ruído, pancinema, anarqueologia, onirismo, auto-ficcionalização, performance, auto-estudo experimental, subjetividade, narrativa fantástica.

 

APRESENTAÇÃO

Comecemos pela lama tóxica: eco da violência neo-desenvolvimentista brasileira e mundial, a matança escancarada para agarrar terras, Friboi ou free os bois?, a lógica mononatural das parceiras privado-público e a contaminação de todas as águas. No cenário thinking estratégico dos governos, a polícia de choque é que se prepara para lidar com as populações que querem acesso às fontes – open source.  Estamos mesmo na lama e a lama não é uma metáfora. Nesse contexto de previsões catastróficas de ‘fim do mundo’ por conta da ação humana destruidora dos sistemas da terra ­‐ acarretando mesmo em um novo período geológico: o antropoceno; o capitaloceno; the metabolic rift –­ esse curso tratará de desviar da nossa rota de colisão apocalíptica e apontar para algumas alternativas de futuro ou futurologias alternativas que carregam um giro tecnológico da diferença. Através da apropriação e da invenção tecno de todas as ordens: ultra low‐tech, ocultas, primitivas… que podem fornecer possibilidades de vislumbrar outros tipos de relações entre humanos, não-­humanos e a terra (interespecifics).

O curso se configura como um tratamento clínico, ritualístico, teórico e prático de encontro das potências do corpo humano com e na terra, de insurgência telúrica. Como criar tratamentos terapêuticos para sanar a lama tóxica, o imaginário carbônico, as enchentes e as secas do clima e do pensamento? Pensamos na engenharia do futuro: a geo-engenharia e a engenharia do corpo. No porvir em relação ao fracasso civilizatório atual. Na urgência da metareciclagem no campo das ficções. E na produção de cosmogonias livres.

DO CURSO

A partir das discussões científicas e teórico-especulativas atuais sobre a era do antropoceno e o ‘fim do mundo’, e em contraponto com futurologias alternativas, construiremos uma dinâmica de imersão conduzida a partir de diferentes técnicas de performance, de ruído, de leitura, de escuta de espectros, desenvolvimento de aparatos eletrônicos, construção de narrativas ficcionais e de propostas clínicas (subjetividade).

O curso conta com pesquisadores de clínica e subjetividade, performance, cinema, eletrônica e música, que promoverão um ambiente de investigação e experimentação radical, a partir das questões que o antropoceno tem levantado no imaginário social.

 

DA ESTRUTURA
Carga horária: 5 horas por dia de práticas imersivas – 16h as 22h
Período: 20 a 30 de Maio 2016

O curso tem base teórica, prática e técnica e prevê a construção de um processo de trabalho experimental, que será realizado no campo (sítio Capacete em Lídice – RJ) e na cidade (Escola Capacete no Rio de Janeiro), fazendo uso de:

1- Linguagens performativas: Uso de técnicas de corpo, improvisação de cena, construção de ações individuais e coletivas a partir de estudos auto-biográficos, construção experimental de linguagem expressiva, ritualização, gestualização, estados de presença, entre outros.

2- Ruidocracia: Uso de técnicas de linguagem sonora, produção de ruído (digital e analógico), vocalização, improvisação narrativa, construção de estados coletivos de escuta. O entendimento do ruido como ruptura da comunicação baseada na inteligibilidade: emissão-redundância-recepção. A ideia aqui é a construção de linguagens que se dão entre humanos e outras espécies.

3- Narrativas ficcionais: Ficcionalização, desenvolvimento de escrita coletiva de caráter transnarrativo, desenvolvimento de personagens, ambientes, contextos. Interescrituras, produção cosmogônica, mítica, metafísica, ontologias diversas, tratados, escritas de associação livre.

4- Live-Cinema: Manipulação de imagens em tempo real, multi-projeções, improvisações narrativas, composição de paisagens visuais, ruídos e texturas luminosas, montagem nuclear, montagem ideogrâmica, livre associação de imagens signo. Diferentes ontologias imagéticas em colisão – arquivo / ao vivo / imagem midiática / imagem de exceção / imagem erro. Exercício livre de gramática audiovisual, cinemúsica da luz.

5- Espectrologia: Criação de dispositivos eletrônicos simples (associado a bobina, bateria, saída de áudio, cabos, etc) para escuta de campos magnéticos. A partir da construção do dispositivo (cada um desenvolverá seu próprio aparato) será proposta uma série de derivas que possibilitarão a escuta espectral de ruídos dos mais diversos elementos, desde lâmpadas, eletrodomésticos até antenas, plantas, árvores, água, etc.

6- Clínica: Esquizodrama, dinâmicas de grupo, técnicas de escuta, associação livre, problematização de questões levantadas pelo grupo, auto-conhecimento, o intelecto e o inconsciente coletivo, contação de sonhos, técnicas de concentração, produção imaginária, fabulação, aprofundamento de linguagens expressivas, relação com o futuro.

7- Communitas: Convivência coletiva, construção de rede, rodas de conversa, tarefas práticas, comunicação intensiva, partilhamento de processos cotidianos, resolução de problemas, alimentação, gestão colaborativa, etc.

 

ENCAMINHAMENTO

Como forma de conclusão dos trabalhos desenvolvidos ao longo dos 10 dias de convivência, o curso inclui uma apresentação pública do processo de trabalho, tendo o formato aberto, que pode ser: uma apresentação multimídia, uma sessão de cinema ao vivo, uma fotonovela, um show de performances, uma coreografia ou agitprop, uma sci-fi (interescritura), um show de variedades. Tudo vai depender da formação do grupo.

Serão trabalhados conceitos como hiperstição, aceleracionismo, pós-humanismo, transhumanismo, ciborguezia, filosoficção, filo-ficção, transnarrativa, interescritura, tecnomagia, metafísica da lata de lixo de Estamira, antropoceno, animismo, subjetividade da matéria, tecnologias do it yourself, multidões queer, imaginação e ficcionalização, astrofuturismo, tecnoprimitivismo de Oswald de Andrade, etc.

 

PROGRAMAÇÃO (aberta para o imprevisto)

DIA 1 – Palestra inicial com Peter Pál Pelbárt, seguida de jantar

DIA 2 – Apresentação estrutural do curso/clínica, e apresentação de cada participante em formato pecha kucha (5 minutos cada)

DIA 3 – Experimentos em linguagens performativas, autoconhecimento, interescritura, improvisação gestual e narrativa, ficcionalização de histórias pessoais

DIA 4 – Experimentos em narrativas ficcionais, ruidocracia e produção sonora

DIA 5, 6 e 7 – Viagem a Lídice (sítio localizado no interior do Rio de Janeiro, região de cafesais) – imersão ritual – caminhada, cachoeira, imersão ritual, fogo, ficções, contação de histórias

DIA 8 – Oficina de criação de aparato eletrônico para escuta de espectros e de linguagens de live cine (cinema ao vivo)

DIA 9 – Organização de todo material produzido durante a oficina – decisões sobre a programação do dia.

DIA 10 – Apresentação conclusiva de processo – encaminhamento (em formato a ser definido pelo grupo)

 

Metodologias diárias de oficina/clínica: prática de roteiros polivalentes (PAV – produto audiovisual aplicável a distintos meios); estudo de texto e hipertexto (texto, som e imagem em movimento); anotação e contação de sonhos; rodas de conversa; clínica individual e/ coletiva; práticas de invenção.

 

PÚBLICO
O curso é oferecido para pessoas acima de 15 anos, de qualquer lugar do Brasil, América Latina e do mundo. O transporte fica a cargo de cada um. Mínimo 10 e máximo 30 pessoas.

 

INSCRIÇÃO

  1. Carta de interesse de no máximo duas páginas falando de sua experiência e do interesse no curso. O currículo vitae. O nome, identidade, cpf, endereço, cidade, email e skype. Para o seguinte email: imersaocapacete@gmail.com
  2. Entrevista presencial ou virtual (via skype)
  3. Inscrição única R$ 500,00

 

BOLSA
Oferecemos duas bolsas para pessoas que queiram fazer o curso mas não tenha condições de arcar com os custos de inscrição. Favor indicar necessidade de bolsa no momento da inscrição.

 

QUESTÕES PRÁTICAS

HOSPEDAGEM NO RIO*
Quartos individuais disponíveis no Capacete – R$500 por 10 dias
Quartos compartilhados (para duas pessoas) no Capacete – R$600 por dez dias

*não incluída no custo do curso

 

USO DA ESCOLA CAPACETE
Acesso irrestrito a Escola Capacete – biblioteca, wifi, cozinha, banheiros, espaço para encontros e equipamento audio/visual básico. Também inclui café, chá, água e banana.

VIAGEM A LIDICE*
Transporte (Rio – Lídice – Rio) e hospedagem incluído.

Hospedagem em barracas e redes. É preciso levar saco de dormir e/ou cobertores (em Maio faz bastante frio a noite), e toalhas.

Lídice fica no município de Rio Claro, na serra de Angra dos Reis a duas horas e meia do Rio de Janeiro e a 20 minutos de Angra dos Reis.

* Em caso de chuva, a viagem não acontece porque não faz sentido.

 

MINI-BIOGRAFIAS

Fabiane M. Borges

Artista, psicóloga e ensaísta. Doutora em psicologia Clínica (Núcleo de Subjetividade PUC/SP – com estágio em Artes Visuais na Goldsmiths University of London). Pesquisa arte/tecnologia, subjetividade, xamanismo e processos imersivos. Atua com grupos, coletivos e redes desde o ano 2000 desenvolvendo uma série de ações como ACMSTC (Arte Contemporânea no Movimento sem Teto do Centro (Ocupação Prestes Maia – São Paulo/2003), Integração sem Posse (Ocupação Prestes Maia – São Paulo/2004-2007), Festivais do Submidialogia (Brasil/2006-2010), Festivais de Tecnoxamanismo (Brasil-Equador-Dinamarca/2014-…). Entre exposições realizadas, destacam-se Transmedialle (Berlim/2014-2016), Arte em Órbita (curadora no CAC – Equador/2015), MAR Poéticas do Dissenso (Rio de Janeiro/2013) e  Zona de Poesia Árida (Rio de Janeiro/2015), MALM (Instituto Goethe – Porto Alegre 2015), entre outros. Trabalha com clínica individual e em grupo. Faz atendimento terapêutico presencial e virtual – https://about.me/FabianeMBorges

Giseli Vasconcelos

Nos últimos 10 anos manejo ideias e práticas coletivas entre ativistas, pensadores, artistas,  e organizações no Brasil. Graduada em Artes pela Unesp-IA, concebi e produzi  festivais, oficinas, encontros e workshops tais como Mídia Tática Brasil (N5M4 -2003 ), Digitofagia (MIS/SP – 2004), Autolabs (ZL SP 2004).  Fui co-organizadora da publicação Net_Cultura 1.0: DIGITOFAGIA (2008), financiado pelo programa internacional Sarai Waag Exchange Platform e Radical Livros. Organizo desde 2011 a publicação Dossie: Por uma cartografia crítica da Amazônia, uma documentação que reúne a realidade cultural, política e conflituosa da região. Resido entre Estados Unidos e Brasil, numa jornada geográfica experienciando sistemas por uma vida sustentável e ações criativas geopolíticas. http://comumlab.org

Leandro Nerefuh

Artista construtivista tabaréu, trabalha com a tradução formal de teorias especulativas e narrativas históricas, com especial interesse na América Latina. Com mestrado em Estudo Culturais pela Universidade de Londres; foi professor de história da arte da Faculdade Zumbi dos Palmares (Armênia – SP), é colaborador da Escola Capacete, Rio de Janeiro, e fundador do PPUB, partido político atuante no Brasil, Paraguai e Uruguai. Entre exposições realizadas, destacam-se: Arquivo Banana, 12 Bienal de Havana; Caverna de Umbelina, Solo Shows, São Paulo; Agitprop Abyssal, Zacheta Galeria Nacional, Varsóvia; Livraria Calil Trouvé, 33 Panorama de Arte Brasileira MAM, São Paulo; Mobile Radio BSP, 30 Bienal de São Paulo; Memórias Disruptivas, Museu Reina Sofia, Madri; Talk Show, ICA, Londres. www.nerefuh.com.br

Marcelo Marssares

Artista plástico que trabalha som e imagem em suas relações de contato físico; o som como ativador de uma visão alterada, o campo acústico como possibilidade imersiva, a música encarada como impulso vibratório em violenta expansão. O contexto e o ambiente são fatores que contribuem para a criação de suas propostas performáticas, ambientais e participativas. Em Uguanda Compressive Files, Capacete, morou por 9 dias no espaço expositivo da galeria disponibilizando instrumentos para aqueles que junto com ele estivessem dispostos a criar um encontro de música-não-música caótica e de improviso coletivo.

Paola Barreto

Artista audiovisual e pesquisadora. Graduada em Cinema (UFF) e Mestre em Tecnologia e Estéticas (PPGCOM/ UFRJ), atualmente dedica-se ao Doutorado em Poéticas Interdisciplinares (PPGAV/ UFRJ). Através de um trabalho desdobrado entre circuitos de vídeo eletrônicos e digitais, fantasmagorias e sistemas híbridos, desenvolve investigação prática e teórica sobre live cinema e vitalidade da imagem. Participou de exposições no circuito SESC em diversas cidades brasileiras, além de Festivais Internacionais como Vorspiel/ Transmediale, em Berlim, Live Performers Meeting, em Roma e Live Cinema, no Rio de Janeiro.

Peter Pál Pelbárt

Professor titular de filosofia na PUC-SP e coordenador do departamento de filosofia da PUC-SP. Escreveu principalmente sobre loucura, tempo, subjetividade e biopolítica. Publicou O Tempo não-reconciliado (Perspectiva), Vida Capital (Iluminuras) e mais recentemente, O avesso do niilismo: cartografias do esgotamento (n-1 edições), entre outros. Traduziu várias obras de Gilles Deleuze. É membro da Cia Teatral Ueinzz, e coeditor da n-1 edições.

Rafael Frazão

Artista visual e desenvolve trabalhos em cinema, conteúdos para internet e novas mídias. Tem experiência na criação e produção de filmes autorais de curta e longa metragem, filmes institucionais e publicidade. Tem também experiência em projetos de arte e tecnologia, video-instalações, projetos de interatividade, projeção mapeada, vjing, streaming, gambiarras tecnológicas em geral aplicados á instalações, teatro, dança e eventos. Com a produtora Filmes para Bailar participou da criação do coletivo Casa da Cultura Digital, do festival Baixo Centro e de uma série de ações relacionadas a apropriação crítica das tecnologias e a cultura livre. Atualmente estuda abordagens da neurociência na performance cênica com a obra Objeto Descontínuo, desenvolve o longa-metragem de fantasia cosmopolítica São Pã e contribui no núcleo de investigação e produção em performance 7Direções.

BIBLIOGRAFIA:  

  • “A Arte do Sonhar”, Carlos Castañeda
  • “A Queda do Céu – Palavras de um Xamã Yanomami” –  Davi Kopenawa e Bruce Albert
  • “Antes o Mundo não existia” Mitologia dos antigos Desana-Kehíripõrã” – Umusi Pãrõkumu (Firmiano Arantes Lana) e Tõrãmú Kehíri (Luiz Gomes Lana). Ed. ed. — São João Batista do Rio Tiquié : UNIRT ; São Gabriel da Cachoeira : FOIRN, 1995. (Coleção Narradores Indígenas do Rio Negro).
  • “Devires Totêmicos – Cosmopolíticas dos Sonhos” – Barbara Glowczewski
  • “Comunidade dos Espectros – I. Antropotecnia” –  Fabián Ludueña Romandini
  • “Três Ecologias” – Félix Guattari – Ed. Papiros – 1990
  • “Caosmose –  Um Novo Paradigma Estético” – Félix Guattari – Ed. 34 – 1992
  • “Metafísicas Canibais” – Eduardo Viveiros de Castro – Ed. Cosac Naify – 2015
  • “Há Mundo Por Vir?: Ensaio Sobre os Medos e os Fins” – Debora Danowski e Eduardo Viveiros de Castro – Ed. Instituto Sócio-Ambiental  – 2015
  • “Linguagem e vida” – Antonin Artaud – Ed. Perspectiva – 2005
  • “O Teatro e Seu Duplo” – Antonin Artaud –  Ed. Martins Fontes. 1999
  • “Performance como Linguagem” – Renato Cohen – Ed. Perspectiva, 1989
  • “Work in Progress na Cena Contemporânea” – Renato Cohen – Ed. Perspectiva, 2004
  • “Arte da Performance: Do Futurismo ao Presente” – Ed. Martins Fonte – 2012
  • “Em Busca de um Teatro Pobre” – Jerzy Grotowski – Ed. Civilização Brasileira – 1987
  • “Testo Yonqui – Sexo, Drogas e Biopolítica” – Beatriz Preciado – Ed. Espasa – 2008
  • “Jamais Fomos Modernos” – Bruno Latour
  • Tudo e qualquer texto de Waly Salomão
  • “Aspiro ao Labirinto” – Helio Oiticica
  • “Cyclonopedia” – Reza Negarestani
  • “O Contrato Natural” – Michel Serres

 


Inscrições para o programa 2017 em Athenas

documentas

Mais abaixo você encontra o Programa 2017, e outros documentos a serem consultados e preenchidos;

Below you will find the Program 2017, aims and application papers to be consulted and filled;

Abajo encontrará el Programa 2017, y otros documentos para ser consultado y completado;

 

Abaixe o Programa 2017 aqui em português:

Download (PDF, 125KB)

Programa 2017 aca en español:

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2017 Program in ingish:

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Program aims:

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Application:

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Calendário 2015

 

O programa 2015 é composto principalmente por:

1 – 10 seminários de 3 a 5 dias cada fechado ao grupo de selecionados/participantes;

2 – 1 fala/apresentação de um profissional convidado todas as quartas-feiras as 19:30. Teremos mais ou menos 35 apresentações em 2015;

3 – O programa também consiste em visitas de ateliers de artistas locais, viagens a São Paulo e outras cidades tanto como uma viagem a um país na america latina;

4 – Um projeto final a ser elaborado coletivamente com os participantes;

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Os seminários de 2015 (fechado para os participantes e possíveis mudanças no cronograma):

PC1-1

16/17 de Março com Pedro de Niemeyer Cesarino

Humanidade, pessoa e multiplicidade

O seminário tratará de refletir sobre as variações e transformações da noção de “humano” em distintos regimes ontológicos, tendo em vista os problemas da multiplicidade, da conexão, das relações de vizinhança, de limite e de devir. Serão apresentados casos provenientes de estudos etnográficos sobre sociedades ditas tradicionais ou não-ocidentais, a serem articulados com reflexões produzidas sobre o contexto hipercapitalista contemporâneo. Pretende-se, em outros termos, oferecer elementos para a compreensão de determinadas configurações do corpo e da pessoa envolvidos em distintos estatutos de humanidade e seus respectivos regimes de criatividade e de expressão.

Pedro de Niemeyer Cesarino é graduado em filosofia pela Universidade de São Paulo, mestre e doutor em antropologia social pelo Museu Nacional/ UFRJ. Deselvolve pesquisas em etnologia indígena (com ênfase em estudos sobre xamanismo e cosmologia), tradições orais, tradução e antropologia da arte. Foi Professor-Adjunto de Antropologia da Arte no Departamento de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo. Atualmente, é professor do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo, na área de pesquisa Antropologia das Formas Expressivas. É autor de Oniska – poética do xamanismo na Amazônia (São Paulo, Perspectiva, 2011) e Quando a Terra deixou de falar – cantos da mitologia marubo (Editora 34, 2013) e de diversos artigos publicados em revistas especializadas. Nos últimos anos, publicou também textos literários e trabalhos de dramaturgia.

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amilcar_02

12-17 de Abril – Amilcar Packer

Conversas dirigidas – compoem um espaço mediador – por meio de perspectivas clínico-filosóficas – e poéticas – que tangenciam o curatorial – pretextos para deixar o tempo passar – juntos – durante alguns dias – nos contradizendo – e insistindo – em estados provisórios – e digestéticos – pele do pensamento – éticas da existência.

Amilcar Packer nasceu em Santiago do Chile em 1974 e mudou-se para o Brasil em 1982. Formado em Filosofía pela Universidade de São Paulo, é mestrando em Psicologia Clínica pelo Núcleo de Estudos da Subjetividade da PUC São Paulo. Packer desenvolve uma prática que reconfigura os campos semânticos de objetos, arquiteturas e corpos humanos por meio de ações e intervenções, fotografías, vídeos, instalações, e apresentações em diversos formatos que estabelecem campos relacionais e que buscam subverter as gramáticas normativas dos espaços sociais e os mecanismos históricos de poder. Suas atividades visam neutralizar discursos dominantes, e contribuir para desinstalar dispositivos de opressão instituídos e cristalizados na partilha cultural do sensível – com sua correlata segregação do espaço –; na sedimentação de estruturas de poder – e sua naturalização na linguagem; e nos padrões sociais e socializantes de comportamento – que impõem políticas de homogeneização das subjetividades.

Packer colabora regularmente com iniciativas autogestionadas como o Como_clube, a Casa do Povo, e o CAPACETE, do qual, entre os anos 2011 e 2013, foi co-diretor do programa de residências artísticas de pesquisa. Tomando as artes como um território privilegiado para a experimentação ética, suas atividades se extendem em formatos discursivos, aulas e oficinas, encontros e conversas, almoços e passeios que estabecem espaços e estados provisórios para dinámicas coletivas menos hierarquizadas, onde predominam a construção da horizontalidade, o debate crítico, o aprendizado mútuo e a convivência. Nos últimos anos, se apresentou em programas de formação como Städelschule, Frankfurt, Alemanha, 2013; PIESP – Porgrama Independente da Escola São Paulo, 2013, Centro de Investigaciones Artisticas, Buenos Aires, Argentina, 2013; History Matter CCA – Lagos, Nigéria, 2012; Universidade de Verão, Rio de Janeiro, 2012 e 2013; the Harbor, Beta Local, San Juan, Puerto Rico, 2011; Novos Coreógrafos, CCSP, 2010; On Reason and Emotion, Sydney Biennial 2004 educational programs – Hobart School of the Arts, Launceston School of the Arts, Tasmania, Autrália, 2004.

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Jorge Menna Barreto

Maio – Jorge Menna Barreto

Ativismo alimentar, agroecologia e práticas site-specific em arte estão entre os assuntos que serão debatidos e praticados nessa oficina imersiva e colaborativa que acontecerá em um ambiente rural do estado do Rio de Janeiro.

Jorge Menna Barreto – Araçatuba, SP, 1970 – Formado em Artes Plásticas pela UFRGS, mestre e doutor em Poéticas Visuais pela ECA-USP. É pós-doutorando na UDESC, onde também atua como professor colaborador. Práticas visuais e discursivas se mesclam em sua trajetória, seja como professor, tradutor, artista, educador ou crítico.

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daniela

Ínicio de junho – Daniela Castro

O curso se debruça sobre os impactos que o neoliberalismo exerceu na produção social do espaço e na produção artística. A partir de uma investigação sobre as transformações político-econômicas que influenciaram significativas mudanças espaciais nas últimas décadas, demonstraremos os mecanismos pelos quais a cidade tornou-se palco da instrumentalização da cultura no estágio financeiro do capitalismo. A instrumentalização da cultura como relação simbiótica com a economia foi uma construção do poder hegemônico que se desenhou como resposta à crise da estagflação mundial no final da década de 70 e início dos 80 que, no limite, delegou para a esfera privada do capital financeiro a elaboração de políticas públicas que estabelecem os contornos sociais e estéticos da cidade e da arte. Vimos a passagem do administrativismo público da cidade para o atual modelo de “parcerias público-privadas” do empreendedorismo urbano a partir da década de 80, bem como, no sistema da arte, o declínio do fomento estatal e influência do patrocínio corporativo (direto ou via isenção fiscal) fortemente presente em todas as fases da arte contemporânea: produção, disseminação e recepção. O curso terá como foco os mecanismos pelos quais essa relação simbiótica entre economia e cultura “naturaliza” a força dos interesses do capital privado como agente definidor da paisagem da vida social.

Daniela Castro – 1976. Vive e trabalha em São Paulo. Graduada em História da Arte pela Universidade de Toronto (Canadá), com bolsas de estudos em cultura visual e arquitetura na Universidade de Hong Kong (China), e residências de curadoria pela Hordaland Kunstsenter (Noruega), IASPIS (Suécia), a Art Gallery of York University (Canadá) e o Peggy Guggenheim Collection Museum em Veneza (Itália). Foi curadora de Lights Out, Museu da Imagem e do Som – MIS, em São Paulo, da exposição Translations/Traduções, 21o Images Festival em Toronto, do Projeto Estúdio, na Galeria Baró Cruz, em São Paulo e na Semana Pernambucana de Artes, em Recife, da A Radically Condensed History of Post Industrial Life LADO A e LADO B no EL Espacio, em Madri e da exposição The Spiral and the Square, co-curada com Jochen Volz, para a Bonniers Konsthall, em Estocolmo, Trondheim e Kristiansand.
Publicou diversos textos em catálogos e revistas especializados nacionais e internacionais, incluindo, Revista Tatuí (Recife), Arte al Dia (Venezuela, México e Estados Unidos), Trópico (São Paulo), CADERNO VIDEOBRASIL (São Paulo), Kunstkritik (Oslo) e o Centro de Bibliografia e Documentação do Museu de Arte Contemporânea – MACBA (Barcelona). Publicou seu primeiro livro em 2010, co-autorado por Fabio Morais, ARTE E MUNDO APÓS A CRISE DAS UTOPIAS, assim mesmo, em CAIXA ALTA e sem notas de roda-pé, pela par(ent)esis (Florianópolis)

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Ricardo Basbaum

Final de Junho – Ricardo Basbaum

A produção do artista: conversas e exercícios acerca da produção de si mesmo como artista

Este workshop se propõe a organizar conversas e discussões coletivas acerca dos traços e tópicos que constituem a “imagem do artista contemporâneo” – e também, através de uma série de atividades de escrita em exercício, trazer o problema “como alguém se produz a si mesmo como artista”, enquanto questão prática. O ponto de partida é a compreensão do sistema de arte contemporâneo como uma composição complexa, composta de diversas camadas de mediação que necessitam ser experimentadas por qualquer um que deseja se mover em tal território; isto é consequência, por um lado, da ‘desmaterialização’ da prática artística própria dos anos 1960 e, por outro, do assim chamado processo de ‘globalização’, típico da nova ordem econômica que emerge desde os anos 1980. Em meio a tantos protocolos relacionais e institucionais, onde podem situar-se artista e trabalho de arte, sujeito e objeto de uma experiência ao mesmo tempo sensorial e conceitual? O workshop está organizado em torno de um conjunto de problemas, que englobam alguns dos aspectos envolvidos na prática da arte contemporânea – a partir do ponto de vista dos que a praticam, especialmente o artista: contexto, proposição, grupo, discursos crítico e histórico, questões curatoriais, etc. O que daí é gerado será trazido enquanto conversação acerca de como alguém se produz como artista em face ao contexto local/global. Para cada tópico, será estabelecida uma bibliografia específica. A dinâmica proposta inclui leitura e discussão de textos, mas também sessões onde que cada um dos participantes produz escrita em relação direta com cada um dos temas: os textos produzidos são então lidos em conjunto e discutidos, a cada encontro. Escritura e leitura são adotados como exercícios práticos na “produção de si como artista contemporâneo”, em um contexto e local específicos.

Ricardo Basbaum é artista, curador e crítico. Reside no Rio de Janeiro. Trabalha no Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Professor visitante na Universidade de Chicago entre outubro e dezembro de 2013. Pesquisa as relações entre arte, sociedade e cultura. Tem desenvolvido um vocabulário específico para seu trabalho, aplicado de modo particular a cada novo projeto. Projetos individuais recentes incluem re-projecting (london) (The Showroom, Londres) e Diagramas (CGAC, Santiago de Compostela), ambos em 2013. Entre outras participações em exposições estão: 30a Bienal de São Paulo, 2012; Bienal de Busan, 2012; A Rua: Rio de Janeiro and the Spirit of the Street, MuHKA, Antuérpia, 2011; e 7a Bienal de Shanghai, 2008. Em 2007, o projeto “Você gostaria de participar de uma experiência artística?” foi apresentado na documenta 12, Kassel. Em 2006, Basbaum foi co-curador do projeto On Difference #2 (Kunstverein Stuttgart) e pogovarjanja/conversations/conversas (com Bojana Piskur, Skuc Gallery, Ljubljana). Autor de Manual do artista-etc (Azougue, 2013), Ouvido de corpo, ouvido de grupo (Universidade Nacional de Córdoba, 2010) e Além da pureza visual (Zouk, 2007).

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andrea fraser

Final de Agosto – Andrea Fraser

Andrea conduzirá uma oficina de quatro dias focada em uma série de abordagens psicanalíticas às relações de grupo, engajamento artístico e performance. O workshop irá incluir uma discussão de leituras que serão disponibilizadas; auto-estudo experimental de processo em grupo; exercícios de performance; e discussões em grupo de projetos dos participantes aplicando métodos variados.

Andrea Fraser é uma artista baseada em Los Angeles, cujo trabalho tem se identificado com performance, feminismo, arte contextual e crítica institucional. Ela foi uma membro-fundadora do grupo de performance feminista The V-Girls (1986-1996), da iniciativa baseada em projetos artísticos Parasite (1997-1998) e da galeria de arte cooperativa Orchard (2005-2008). Entre os livros sobre os seu trabalho estão A Society of Taste, Kunstverein München, 1993; Report, EA-Generali Foundation, 1995; Andrea Fraser: Works 1985-2003, Dumont Buchverlag, 2003; Museum Highlights: The Writings of Andrea Fraser, MIT Press, 2005, e Texts, Scripts, Transcripts, Museu Ludwig Köln, 2013. O Museu Ludwig Köln apresentou uma retrospectiva de seu trabalho em 2013, em conjunto com o recebimento do Prêmio Hahn Wolfgang. Ela é professora de Novos Gêneros no Departamento de Arte da Universidade da Califórnia, Los Angeles e docente visitante no Whitney Independent Study Program.

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Bik van der Pol

Setembro – Bik van der Pol

Proposição para reivindicar um espaço

Este seminário diz respeito à capacidade e responsabilidade de artistas de estarem no comando de seu próprio ‘contexto’, tanto em termos de produção como de apresentação. O objetivo mais amplo diz respeito à questão urgente: se e onde a arte pode ser útil na produção de uma esfera pública, também no sentido político desse termo. Nossa hipótese é de que a crescente privatização dos bens públicos, assim como o aumento do uso do encontro privado para o ‘bem’ público em desenvolvimentos neoliberais tem levado à perda de um tipo significativo de espaço público.

Nossa preocupação é, que se essa perda coincide com a perda da posição do trabalho artístico aos olhos do público, como pode então a arte como espaço público ser desvelada – ou de alguma forma ser útil – para o seu potencial político. Em um mundo onde o valor da arte é desafiado, é oportuno reinvestir em seu lugar na sociedade. Para que uma sociedade exista, encontros têm de acontecer, e, a fim de experimentar a potencialidade do espaço de se tornar público, as suas condições devem ser criadas para preparar o terreno para um encontro futuro.

Abraçamos as qualidades intrínsecas à prática artística, como um meio para revelar – tornar público – o que está em jogo no espaço público. A questão do espaço público há muito tempo tem sido articulada em estreita ligação com a democracia, e muitos teóricos argumentam que quando a democracia está sob ameaça, o espaço público também está. A discussão sobre questões públicas não é, portanto, exclusivamente deste tempo, mas se torna tanto mais relevante à luz do atual aumento da propriedade privada e da privatização do espaço público.

 Com o termo ‘espaço público’ nos referimos a qualquer local de potencial conflito sobre direitos, informações, relações e objetos – um espaço que exige articulação, para que uma comunidade possa ser formada, chamada à ordem, e entre na ordem do político. A ‘dimensão pública’ não se manifesta apenas em assuntos espaciais. De fato, os recentes debates sobre as formas de propriedade comum, tais quais conhecimento e cultura mostram que o espaço público deve ser entendido nos termos mais amplos possíveis – como o que mantém unido o tecido da experiência-como-comunidade. Ameaçado por formas ou atos de exclusão, acesso privilegiado, e desinformação, esses sites de propriedade pública são tão precários como os recursos naturais, e precisam ser rearticulados a cada vez. No entanto, se o paradigma econômico nos obriga a recuar do campo da dimensão pública, qual é então a questão pública?

O modelo do diálogo, entendido como uma negociação constante de qualquer tipo entre os cidadãos, será investigado em seu potencial para estabelecer e articular o espaço coletivo.

Bik Van der Pol trabalha coletivamente desde 1995. Eles vivem e trabalham em Rotterdã.
Website: www.bikvanderpol.net
Bik Van der Pol explora o potencial da arte de produzir e transmitir conhecimento. Seu método de trabalho é baseado na cooperação e métodos de pesquisa de como ativar situações no sentido de criar uma plataforma para vários tipos de atividades comunicativas.
Exposições individuais e projetos (seleção):
Between a Rock and a Hard Place, Sudbury, Canadá (2012);
Accumulate, Collect, Show, new work for Frieze Projects, Frieze Art Fair, Londres; Musagetes Foundation, Sudbury (2011)
Are you really sure a floor can’t also be a ceiling? ENEL Award 2010, Museu MACRO, Roma (2010)
It isn’t what it used to be and will never be again, CCA Glasgow (2009)
I’ve got something in my eye, Museu Marie Louise Hessel /CCS Bard, Annandale-on-Hudson, NY; Plug In 28, Pay Attention, Act 1, 2, 3, Museu Van Abbe, Eindhoven (2008)
Issuefighters, INSA Art Space, Seul (2007). Projeto de seminários e publicação (entitled +82, appeared feb.2007); Fly Me To The Moon, Rijksmuseum, Amsterdã (2007)
Secession, Viena (2005)
Nomads in Residence/No.19, um espaço móvel para artistas, Utrecht (2003, com Korteknie Stuhlmacher architects)

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Carla Zaccagnini

Outubro – Carla Zaccagnini

Entre 1993 e 1998, trabalhei numa agência de turismo educacional que então se chamava Pagu, mas mudou de nome por exigência dos herdeiros de Patrícia Galvão. Eu acompanhava alunos de 7a série em viagens de estudo às cidades históricas de Minas Gerais: Ouro Preto, Mariana, Congonhas, Tiradentes etc. Esquecidas com a escassez do ouro, essas cidades mantiveram muito da estrutura urbana, dos edifícios e dos objetos característicos da sociedade que ali teve lugar nos séculos XVIII e XIX. Esses prédios e objetos têm hoje uma existência ambivalente, entre obra de arte ou arquitetura e documento histórico.

Nessas viagens, tive com meus colegas historiadores e com grupos de alunos discussões inesquecíveis sobre o estatuto pendular desses testemunhos do passado, e também sobre a função social da arte, sobre o papel definitivo do observador, sobre uma idéia de arte brasileira e sobre a estrutura da nossa sociedade. Talvez seja pelo distanciamento que podemos praticar ao olhar para o passado e que pode nos ajudar a ver algumas coisas com mais clareza. Talvez, ao contrario, seja por uma espécie de mergulho nesses lugares onde os indícios dessa história que ainda nos define estão por toda parte, nos circundam. Talvez seja porque éramos um grupo de pessoas que durante 4 ou 5 dias com suas noites nos deslocávamos e dispúnhamos a pensar somente naquilo que esses lugares ativam.

Proponho que façamos juntos essa viagem.

Carla Zaccagnini (Buenos Aires, 1973 – Vive em São Paulo e Malmö) é artista plástica e crítica, Mestre em Poéticas Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Atualmete é bolsista do programa KfW Stiftung na Kunstlerhaus Bethanien (Berlim, 2013-14). Participou, entre outras, das mostras 9th Shanghai Biennale (Xangai, 2012), 2nde Biennale de Benin (Cotonou, 2012), Planos de Fuga, uma exposição em obras (CCBB-SP, 2012),  Modelos para Armar: Pensar Latinoamérica desde la colección MUSAC (Leon, Espanha, 2010) e28a Bienal de São Paulo (2008). Exposições individuais recentes incluem Pelas Bordas (Galeria Vermelho, São Paulo, 2013),Plano de falla (Ignacio Liprandi, Buenos Aires, 2011), Imposible pero necesario(Galeria Joan Prats, Barcelona, 2010) e no. it is opposition. (Art Galery of York University, Toronto, 2008). Seu trabalho foi incluido nos compêndios Cream 3 (London: Phaidon Press, 2003), Contemporary Art Brazil(Thames and Hudson, London 2012) e Art Cities of the Future, 21st-Century Avant-Gardes (London: Phaidon Press, 2013)e atualmenteé representado pelas galerias Vermelho (São Paulo) e Joan Prats (Barcelona).

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Christoph Keller

Cristoph Keller

Hidrologia para Artistas – Uma arqueologia e Futurologia de Intervenções Hidrelétricas na Paisagem Tropical

O workshop investigará métodos e tecnologias de indústrias hidrelétricas e seus efeitos a longo prazo sobre a paisagem tropical, clima e biodiversidade no Brasil e América do Sul.

Será oferecida uma introdução a uma “Hidrologia para artistas” fictícia, reunindo informações básicas e metodologias nas áreas de hidrologia, climatologia, oferta e demanda de energia e tecnologia de usinas hidrelétricas. A complexa situação da biodiversidade e climatologia na maior bacia amazônica será examinada, bem como a história da extração de energia por meio de empresas industriais na paisagem tropical. Convidaremos palestrantes que vão desde cientistas a mentores de direitos indígenas, assistindo a filmes e analisando material relacionado com o tema.

O objetivo é possibilitar que os participantes contribuam para o debate público em torno do tema, mediando com meios artísticos e a partir de uma perspectiva artística.

Christoph Keller é um artista de Berlim. Ele estudou Matemática, Física e Hidrologia em Freiburg, Berlim e Santiago do Chile, bem como na Universidade de Artes, Berlim, e na Academy of Media Arts, Colónia.

Exposições individuais selecionadas e projetos incluem: Expedition Bus and Shaman Travel, em Esther Schipper/ abc Berlim (2012); L’Institut des archives sauvages, Villa Arson, Nice (2012); Aether – between cosmology and consciousness, Espace 315, Paris (2011); Observatorium, Kunstverein Braunschweig (2008).

Em suas instalações, frequentemente referenciando configurações experimentais, o artista alemão Christoph Keller utiliza as possibilidades discursivas da arte para investigar os temas da ciência e suas utopias. Os Cloudbuster-Projects (desde 2003) envolvem reconstituições de experiências de Wilhelm Reich para influenciar a atmosfera com energia orgônica. Em Encyclopaedia Cinematographica (2001) e Archives as Objects as Monuments (2000), Keller enfoca a arqueologia do filme científico, a impossibilidade da documentação objetiva, e o problema do impulso arquivista de pôr ordem a um conhecimento abrangente. Apesar de toda a objetividade metodológica, um projeto seletivo e deliberado está sempre em trabalho aqui. Em Expedition-Bus and Shaman-Travel (2002), um ônibus de acampamento espelhado para viagens de pesquisa, o ponto de vista etnográfico da ciência é exposto como uma projeção de sua própria cultura. O espectador é arrastado para a instalação e torna-se um investigador de campo. Keller está, em última análise, preocupado em ligar os métodos e procedimentos do trabalho científico com uma experiência espacial, mas também psicológica e física da arte.

Keller frequentemente trabalha em temas nas fronteiras da ciência, tais como a relação entre hipnose e cinematografia em Hypnosis-Film-Project (2007) ou Visiting a Contemporary Art Museum under Hypnosis (2006) para os quais ele estudou e aplicou experimentalmente métodos hipnóticos: The Mesmer Room (2006). Em Chemtrails Phenomenon (2006) e The Whole Earth (2007), o tema é teorias da conspiração na Internet, que, como “construções científicas” são igualmente expressões de certo estado de consciência na sociedade. Em seu ciclo de trabalho Inverse Observatories (desde 2007), Keller inverte o ponto de vista: não é o universo que é observado, mas sim a própria observação. Em 2008 ele também fundou um grupo de pesquisa interdisciplinar para a representação de estados alterados nas artes na Universidade de Arte de Berna. Conduzindo aos limites da linguagem está a vídeo-instalação Interpreters (2008) na qual tradutores simultâneos traduzem em duas direções ao mesmo tempo em que refletem sobre o próprio trabalho. O vídeo Verbal/ Nonverbal (2010) mostra um grupo de cobaias na frente de um fundo branco neutro inalando um gás alucinógeno e em seguida falando sobre suas experiências.

Christoph Keller primeiro estudou matemática, física e hidrologia, antes de continuar seus estudos na Academia de Arte de Berlim e em Colônia. Suas obras estão presentes em muitas exposições internacionais, como a Bienal de Lyon (2011), Klimakapseln, Museum für Kunst und Gewerbe, Hamburgo (2010), Bienal del Fin del Mundo, Argentina (2009), Bienal do Mercosul, Porto Alegre, Brasil (2009), Dreamtime, Musée des Abattoirs em Toulouse (2009), Artfocus Jerusalém (2008), Made in Germany em Hannover (2007) ou a exposição individual Observatorium no Kunstverein Braunschweig (2008) ou LIAF Lofoten (2011). Æther – between cosmology and consciousness (2011), no Centro Georges Pompidou em Paris, foi o seu primeiro projeto artístico e curatorial em um contexto institucional.

Recebeu vários prêmios e subvenções para o seu trabalho como o Ars Viva-Preis para a arte e a ciência, o PS1 studio-grant, em Nova York, Residences Internationales aux Recollets, Paris, BM Suma em Istambul e Capacete em São Paulo, Brasil. Christoph Kelller é baseado em Berlim. Atualmente ensina como professor convidado de Media Art na Hochschule für Gestaltung, em Karlsruhe, bem como no departamento de artes visuais da Haute École d’Art et de Design, em Genebra.

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Suely Rolink

Final de Novembro/Dezembro – Suely Rolnik

Como driblar o inconsciente colonial?

Caminhando pela fita de Moebius com Lygia Clark, alguns índios Tupinambá e uns poucos franceses, Suely Rolnik buscará mobilizar e tornar sensível uma política de produção do pensamento, do desejo e da subjetividade, recalcada pela Europa Ocidental em todas as culturas a ela submetidas (inclusive no interior de si própria) pela colonização e seus desdobramentos. Esta teria sido a operação micropolítica fundamental da colonização. Tal política estaria hoje em vias de atualização, injetando o saber-do-corpo nas veias logocêntricas da modernidade ocidental em crise. Deste retorno do recalcado no exercício do pensamento depende a força e a astúcia para driblar o Inconsciente colonial que ainda hoje estrutura a subjetividade e orienta as jogadas do desejo. Não seriam irrupções desta retorno o que vem se apresentando nos movimentos que tem ocupado as ruas e praças das cidades pelo mundo? Se for assim, é bom lembrar que este trabalho não tem fim.

Suely Rolnik é Psicanalista, crítica de arte e de cultura e curadora, é Professora Titular da PUC-SP no Pós-Graduação de Psicologia Clínica, e membro do corpo docente do Programa de Estudios Independientes (PEI) no Museo d’Art Contemporani de Barcelona (MacBa). Realizou o projeto Arquivo para uma Obra-Acontecimento, 65 filmes em que busca convocar a memória dos efeitos da poética de Lygia Clark no corpo dos entrevistados. Foi uma das fundadoras da Rede Conceitualismos do Sul (composta atualmente de 50 investigadores de todo o continente); foi membro do juri do Premio Casa de las Americas (Havana, 2014) e, atualmente, é membro do conselho consultivo da 31ª Bienal de São Paulo que ocorrerá de 06/09 a 09/12 de 2014. Autora dos livros Geopolítica da cafetinagem. Quatro ensaios sobre a patologia do presente (SP, N-1, 2014; prelo), Archivmanie / Archive Mania (dOCUMENTA 13, 2011), Anthropophagie Zombie (Paris, 2012), Cartografia Sentimental. Transformações contemporâneas do desejo (SP, 1989; 6a ed. Sulinas, 2014). e, em co-autoria com Félix Guattari, Micropolítica. Cartografias do desejo (SP, 1986; 11a ed. 2011), publicado em 7 países. Autora de mais de 200 ensaios publicados em várias línguas.

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helmut

All year round – Helmut Batista

Solvitur ambulando/Se soluciona andando

É uma oficina de discussões com duração de 10 meses onde questões de aceleração e redução de produção serão postos em pauta.

 Helmut Batista (Rio de Janeiro 1964) estudou opera na ESAT e trabalhou na ópera de Vienna. Em 1998 funda o CAPACETE uma organização sem fins lucrativos direcionado ao pensamento contemporâneo. Realizou, produziu e organizou inúmeras palestras, seminários, odficinas e exposições no Brasil e no exterior. Como artista, até 1997, expôs na Gallery Schipper, Air de Paris, Massimo de Carlo, Von Senger entre outras. Em 2013 curou e organizou uma mostra no Portikus em Frankfurt.


Equipe pedagógica

A equipe pedagógica para o programa 2016

Tutores ao longo do ano: Leandro Nerefuh e  Helmut Batista

Os tutores convidados:

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Participantes/Residentes:

Anna Bak
Aurélia Defrance
Caetano Maacumba
Camilla Rocha Campos
Ian Erikson-Kery
Jonas Lund
Julia Retz
Marilia Loureiro
soJin Chun
Soledad Leon
Tali Serruya
Thora Doven Balke


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Equipe pedagógica para o programa 2015

 

Tutores ao longo do ano: Amilcar Packer, Manuela Moscoso e Helmut Batista

 

Os tutores convidados:
Andrea Fraser
Andrea conduzirá uma oficina de quatro dias focada em uma série de abordagens psicanalíticas às relações de grupo, engajamento artístico e performance. O workshop irá incluir uma discussão de leituras que serão disponibilizadas; auto-estudo experimental de processo em grupo; exercícios de performance; e discussões em grupo de projetos dos participantes aplicando métodos variados.
Andrea Fraser é uma artista baseada em Los Angeles, cujo trabalho tem se identificado com performance, feminismo, arte contextual e crítica institucional. Ela foi uma membro-fundadora do grupo de performance feminista The V-Girls (1986-1996), da iniciativa baseada em projetos artísticos Parasite (1997-1998) e da galeria de arte cooperativa Orchard (2005-2008). Entre os livros sobre os seu trabalho estão A Society of Taste, Kunstverein München, 1993; Report, EA-Generali Foundation, 1995; Andrea Fraser: Works 1985-2003, Dumont Buchverlag, 2003; Museum Highlights: The Writings of Andrea Fraser, MIT Press, 2005, e Texts, Scripts, Transcripts, Museu Ludwig Köln, 2013. O Museu Ludwig Köln apresentou uma retrospectiva de seu trabalho em 2013, em conjunto com o recebimento do Prêmio Hahn Wolfgang. Ela é professora de Novos Gêneros no Departamento de Arte da Universidade da Califórnia, Los Angeles e docente visitante no Whitney Independent Study Program.
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Suely Rolnik
Como driblar o inconsciente colonial?
Caminhando pela fita de Moebius com Lygia Clark, alguns índios Tupinambá e uns poucos franceses, Suely Rolnik buscará mobilizar e tornar sensível uma política de produção do pensamento, do desejo e da subjetividade, recalcada pela Europa Ocidental em todas as culturas a ela submetidas (inclusive no interior de si própria) pela colonização e seus desdobramentos. Esta teria sido a operação micropolítica fundamental da colonização. Tal política estaria hoje em vias de atualização, injetando o saber-do-corpo nas veias logocêntricas da modernidade ocidental em crise. Deste retorno do recalcado no exercício do pensamento depende a força e a astúcia para driblar o Inconsciente colonial que ainda hoje estrutura a subjetividade e orienta as jogadas do desejo. Não seriam irrupções desta retorno o que vem se apresentando nos movimentos que tem ocupado as ruas e praças das cidades pelo mundo? Se for assim, é bom lembrar que este trabalho não tem fim.
Suely Rolnik é Psicanalista, crítica de arte e de cultura e curadora, é Professora Titular da PUC-SP no Pós-Graduação de Psicologia Clínica, e membro do corpo docente do Programa de Estudios Independientes (PEI) no Museo d’Art Contemporani de Barcelona (MacBa). Realizou o projeto Arquivo para uma Obra-Acontecimento, 65 filmes em que busca convocar a memória dos efeitos da poética de Lygia Clark no corpo dos entrevistados. Foi uma das fundadoras da Rede Conceitualismos do Sul (composta atualmente de 50 investigadores de todo o continente); foi membro do juri do Premio Casa de las Americas (Havana, 2014) e, atualmente, é membro do conselho consultivo da 31ª Bienal de São Paulo que ocorrerá de 06/09 a 09/12 de 2014. Autora dos livros Geopolítica da cafetinagem. Quatro ensaios sobre a patologia do presente (SP, N-1, 2014; prelo), Archivmanie / Archive Mania (dOCUMENTA 13, 2011), Anthropophagie Zombie (Paris, 2012), Cartografia Sentimental. Transformações contemporâneas do desejo (SP, 1989; 6a ed. Sulinas, 2014). e, em co-autoria com Félix Guattari, Micropolítica. Cartografias do desejo (SP, 1986; 11a ed. 2011), publicado em 7 países. Autora de mais de 200 ensaios publicados em várias línguas.
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Carla Zaccagnini
Entre 1993 e 1998, trabalhei numa agência de turismo educacional que então se chamava Pagu, mas mudou de nome por exigência dos herdeiros de Patrícia Galvão. Eu acompanhava alunos de 7a série em viagens de estudo às cidades históricas de Minas Gerais: Ouro Preto, Mariana, Congonhas, Tiradentes etc. Esquecidas com a escassez do ouro, essas cidades mantiveram muito da estrutura urbana, dos edifícios e dos objetos característicos da sociedade que ali teve lugar nos séculos XVIII e XIX. Esses prédios e objetos têm hoje uma existência ambivalente, entre obra de arte ou arquitetura e documento histórico.
Nessas viagens, tive com meus colegas historiadores e com grupos de alunos discussões inesquecíveis sobre o estatuto pendular desses testemunhos do passado, e também sobre a função social da arte, sobre o papel definitivo do observador, sobre uma idéia de arte brasileira e sobre a estrutura da nossa sociedade. Talvez seja pelo distanciamento que podemos praticar ao olhar para o passado e que pode nos ajudar a ver algumas coisas com mais clareza. Talvez, ao contrario, seja por uma espécie de mergulho nesses lugares onde os indícios dessa história que ainda nos define estão por toda parte, nos circundam. Talvez seja porque éramos um grupo de pessoas que durante 4 ou 5 dias com suas noites nos deslocávamos e dispúnhamos a pensar somente naquilo que esses lugares ativam.
Proponho que façamos juntos essa viagem.
Carla Zaccagnini (Buenos Aires, 1973 – Vive em São Paulo e Malmö) é artista plástica e crítica, Mestre em Poéticas Visuais pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Atualmete é bolsista do programa KfW Stiftung na Kunstlerhaus Bethanien (Berlim, 2013-14). Participou, entre outras, das mostras 9th Shanghai Biennale (Xangai, 2012), 2nde Biennale de Benin (Cotonou, 2012), Planos de Fuga, uma exposição em obras (CCBB-SP, 2012),  Modelos para Armar: Pensar Latinoamérica desde la colección MUSAC (Leon, Espanha, 2010) e28a Bienal de São Paulo (2008). Exposições individuais recentes incluem Pelas Bordas (Galeria Vermelho, São Paulo, 2013),Plano de falla (Ignacio Liprandi, Buenos Aires, 2011), Imposible pero necesario(Galeria Joan Prats, Barcelona, 2010) e no. it is opposition. (Art Galery of York University, Toronto, 2008). Seu trabalho foi incluido nos compêndios Cream 3 (London: Phaidon Press, 2003), Contemporary Art Brazil(Thames and Hudson, London 2012) e Art Cities of the Future, 21st-Century Avant-Gardes (London: Phaidon Press, 2013)e atualmenteé representado pelas galerias Vermelho (São Paulo) e Joan Prats (Barcelona).
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Daniela Castro
O curso se debruça sobre os impactos que o neoliberalismo exerceu na produção social do espaço e na produção artística. A partir de uma investigação sobre as transformações político-econômicas que influenciaram significativas mudanças espaciais nas últimas décadas, demonstraremos os mecanismos pelos quais a cidade tornou-se palco da instrumentalização da cultura no estágio financeiro do capitalismo. A instrumentalização da cultura como relação simbiótica com a economia foi uma construção do poder hegemônico que se desenhou como resposta à crise da estagflação mundial no final da década de 70 e início dos 80 que, no limite, delegou para a esfera privada do capital financeiro a elaboração de políticas públicas que estabelecem os contornos sociais e estéticos da cidade e da arte. Vimos a passagem do administrativismo público da cidade para o atual modelo de “parcerias público-privadas” do empreendedorismo urbano a partir da década de 80, bem como, no sistema da arte, o declínio do fomento estatal e influência do patrocínio corporativo (direto ou via isenção fiscal) fortemente presente em todas as fases da arte contemporânea: produção, disseminação e recepção. O curso terá como foco os mecanismos pelos quais essa relação simbiótica entre economia e cultura “naturaliza” a força dos interesses do capital privado como agente definidor da paisagem da vida social.
Daniela Castro – 1976. Vive e trabalha em São Paulo. Graduada em História da Arte pela Universidade de Toronto (Canadá), com bolsas de estudos em cultura visual e arquitetura na Universidade de Hong Kong (China), e residências de curadoria pela Hordaland Kunstsenter (Noruega), IASPIS (Suécia), a Art Gallery of York University (Canadá) e o Peggy Guggenheim Collection Museum em Veneza (Itália). Foi curadora de Lights Out, Museu da Imagem e do Som – MIS, em São Paulo, da exposição Translations/Traduções, 21o Images Festival em Toronto, do Projeto Estúdio, na Galeria Baró Cruz, em São Paulo e na Semana Pernambucana de Artes, em Recife, da A Radically Condensed History of Post Industrial Life LADO A e LADO B no EL Espacio, em Madri e da exposição The Spiral and the Square, co-curada com Jochen Volz, para a Bonniers Konsthall, em Estocolmo, Trondheim e Kristiansand.
 Publicou diversos textos em catálogos e revistas especializados nacionais e internacionais, incluindo, Revista Tatuí (Recife), Arte al Dia (Venezuela, México e Estados Unidos), Trópico (São Paulo), CADERNO VIDEOBRASIL (São Paulo), Kunstkritik (Oslo) e o Centro de Bibliografia e Documentação do Museu de Arte Contemporânea – MACBA (Barcelona). Publicou seu primeiro livro em 2010, co-autorado por Fabio Morais, ARTE E MUNDO APÓS A CRISE DAS UTOPIAS, assim mesmo, em CAIXA ALTA e sem notas de roda-pé, pela par(ent)esis (Florianópolis)
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Bik van der Pol
Proposição para reivindicar um espaço
Este seminário diz respeito à capacidade e responsabilidade de artistas de estarem no comando de seu próprio ‘contexto’, tanto em termos de produção como de apresentação. O objetivo mais amplo diz respeito à questão urgente: se e onde a arte pode ser útil na produção de uma esfera pública, também no sentido político desse termo. Nossa hipótese é de que a crescente privatização dos bens públicos, assim como o aumento do uso do encontro privado para o ‘bem’ público em desenvolvimentos neoliberais tem levado à perda de um tipo significativo de espaço público.
Nossa preocupação é, que se essa perda coincide com a perda da posição do trabalho artístico aos olhos do público, como pode então a arte como espaço público ser desvelada – ou de alguma forma ser útil – para o seu potencial político. Em um mundo onde o valor da arte é desafiado, é oportuno reinvestir em seu lugar na sociedade. Para que uma sociedade exista, encontros têm de acontecer, e, a fim de experimentar a potencialidade do espaço de se tornar público, as suas condições devem ser criadas para preparar o terreno para um encontro futuro.
Abraçamos as qualidades intrínsecas à prática artística, como um meio para revelar – tornar público – o que está em jogo no espaço público. A questão do espaço público há muito tempo tem sido articulada em estreita ligação com a democracia, e muitos teóricos argumentam que quando a democracia está sob ameaça, o espaço público também está. A discussão sobre questões públicas não é, portanto, exclusivamente deste tempo, mas se torna tanto mais relevante à luz do atual aumento da propriedade privada e da privatização do espaço público.
Com o termo ‘espaço público’ nos referimos a qualquer local de potencial conflito sobre direitos, informações, relações e objetos – um espaço que exige articulação, para que uma comunidade possa ser formada, chamada à ordem, e entre na ordem do político. A ‘dimensão pública’ não se manifesta apenas em assuntos espaciais. De fato, os recentes debates sobre as formas de propriedade comum, tais quais conhecimento e cultura mostram que o espaço público deve ser entendido nos termos mais amplos possíveis – como o que mantém unido o tecido da experiência-como-comunidade. Ameaçado por formas ou atos de exclusão, acesso privilegiado, e desinformação, esses sites de propriedade pública são tão precários como os recursos naturais, e precisam ser rearticulados a cada vez. No entanto, se o paradigma econômico nos obriga a recuar do campo da dimensão pública, qual é então a questão pública?
O modelo do diálogo, entendido como uma negociação constante de qualquer tipo entre os cidadãos, será investigado em seu potencial para estabelecer e articular o espaço coletivo.
Bik Van der Pol trabalha coletivamente desde 1995. Eles vivem e trabalham em Rotterdã.
Website: www.bikvanderpol.net
Bik Van der Pol explora o potencial da arte de produzir e transmitir conhecimento. Seu método de trabalho é baseado na cooperação e métodos de pesquisa de como ativar situações no sentido de criar uma plataforma para vários tipos de atividades comunicativas.
Exposições individuais e projetos (seleção):
Between a Rock and a Hard Place, Sudbury, Canadá (2012);
Accumulate, Collect, Show, new work for Frieze Projects, Frieze Art Fair, Londres; Musagetes Foundation, Sudbury (2011)
Are you really sure a floor can’t also be a ceiling? ENEL Award 2010, Museu MACRO, Roma (2010)
It isn’t what it used to be and will never be again, CCA Glasgow (2009)
I’ve got something in my eye, Museu Marie Louise Hessel /CCS Bard, Annandale-on-Hudson, NY; Plug In 28, Pay Attention, Act 1, 2, 3, Museu Van Abbe, Eindhoven (2008)
Issuefighters, INSA Art Space, Seul (2007). Projeto de seminários e publicação (entitled +82, appeared feb.2007); Fly Me To The Moon, Rijksmuseum, Amsterdã (2007)
Secession, Viena (2005)
Nomads in Residence/No.19, um espaço móvel para artistas, Utrecht (2003, com Korteknie Stuhlmacher architects)
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Jorge Menna Barreto
Ativismo alimentar, agroecologia e práticas site-specific em arte estão entre os assuntos que serão debatidos e praticados nessa oficina imersiva e colaborativa que acontecerá em um ambiente rural do estado do Rio de Janeiro.
Jorge Menna Barreto – Araçatuba, SP, 1970 – Formado em Artes Plásticas pela UFRGS, mestre e doutor em Poéticas Visuais pela ECA-USP. É pós-doutorando na UDESC, onde também atua como professor colaborador. Práticas visuais e discursivas se mesclam em sua trajetória, seja como professor, tradutor, artista, educador ou crítico.
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Pedro de Niemeyer Cesarino
Humanidade, pessoa e multiplicidade
O seminário tratará de refletir sobre as variações e transformações da noção de “humano” em distintos regimes ontológicos, tendo em vista os problemas da multiplicidade, da conexão, das relações de vizinhança, de limite e de devir. Serão apresentados casos provenientes de estudos etnográficos sobre sociedades ditas tradicionais ou não-ocidentais, a serem articulados com reflexões produzidas sobre o contexto hipercapitalista contemporâneo. Pretende-se, em outros termos, oferecer elementos para a compreensão de determinadas configurações do corpo e da pessoa envolvidos em distintos estatutos de humanidade e seus respectivos regimes de criatividade e de expressão.
Pedro de Niemeyer Cesarino é graduado em filosofia pela Universidade de São Paulo, mestre e doutor em antropologia social pelo Museu Nacional/ UFRJ. Deselvolve pesquisas em etnologia indígena (com ênfase em estudos sobre xamanismo e cosmologia), tradições orais, tradução e antropologia da arte. Foi Professor-Adjunto de Antropologia da Arte no Departamento de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo. Atualmente, é professor do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo, na área de pesquisa Antropologia das Formas Expressivas. É autor de Oniska – poética do xamanismo na Amazônia (São Paulo, Perspectiva, 2011) e Quando a Terra deixou de falar – cantos da mitologia marubo (Editora 34, 2013) e de diversos artigos publicados em revistas especializadas. Nos últimos anos, publicou também textos literários e trabalhos de dramaturgia.
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Ricardo Basbaum
A produção do artista: conversas e exercícios acerca da produção de si mesmo como artista
Este workshop se propõe a organizar conversas e discussões coletivas acerca dos traços e tópicos que constituem a “imagem do artista contemporâneo” – e também, através de uma série de atividades de escrita em exercício, trazer o problema “como alguém se produz a si mesmo como artista”, enquanto questão prática. O ponto de partida é a compreensão do sistema de arte contemporâneo como uma composição complexa, composta de diversas camadas de mediação que necessitam ser experimentadas por qualquer um que deseja se mover em tal território; isto é consequência, por um lado, da ‘desmaterialização’ da prática artística própria dos anos 1960 e, por outro, do assim chamado processo de ‘globalização’, típico da nova ordem econômica que emerge desde os anos 1980. Em meio a tantos protocolos relacionais e institucionais, onde podem situar-se artista e trabalho de arte, sujeito e objeto de uma experiência ao mesmo tempo sensorial e conceitual? O workshop está organizado em torno de um conjunto de problemas, que englobam alguns dos aspectos envolvidos na prática da arte contemporânea – a partir do ponto de vista dos que a praticam, especialmente o artista: contexto, proposição, grupo, discursos crítico e histórico, questões curatoriais, etc. O que daí é gerado será trazido enquanto conversação acerca de como alguém se produz como artista em face ao contexto local/global. Para cada tópico, será estabelecida uma bibliografia específica. A dinâmica proposta inclui leitura e discussão de textos, mas também sessões onde que cada um dos participantes produz escrita em relação direta com cada um dos temas: os textos produzidos são então lidos em conjunto e discutidos, a cada encontro. Escritura e leitura são adotados como exercícios práticos na “produção de si como artista contemporâneo”, em um contexto e local específicos.
Ricardo Basbaum é artista, curador e crítico. Reside no Rio de Janeiro. Trabalha no Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Professor visitante na Universidade de Chicago entre outubro e dezembro de 2013. Pesquisa as relações entre arte, sociedade e cultura. Tem desenvolvido um vocabulário específico para seu trabalho, aplicado de modo particular a cada novo projeto. Projetos individuais recentes incluem re-projecting (london) (The Showroom, Londres) e Diagramas (CGAC, Santiago de Compostela), ambos em 2013. Entre outras participações em exposições estão: 30a Bienal de São Paulo, 2012; Bienal de Busan, 2012; A Rua: Rio de Janeiro and the Spirit of the Street, MuHKA, Antuérpia, 2011; e 7a Bienal de Shanghai, 2008. Em 2007, o projeto “Você gostaria de participar de uma experiência artística?” foi apresentado na documenta 12, Kassel. Em 2006, Basbaum foi co-curador do projeto On Difference #2 (Kunstverein Stuttgart) e pogovarjanja/conversations/conversas (com Bojana Piskur, Skuc Gallery, Ljubljana). Autor de Manual do artista-etc (Azougue, 2013), Ouvido de corpo, ouvido de grupo (Universidade Nacional de Córdoba, 2010) e Além da pureza visual (Zouk, 2007).
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Cristoph Keller
Hidrologia para Artistas – Uma arqueologia e Futurologia de Intervenções Hidrelétricas na Paisagem Tropical
O workshop investigará métodos e tecnologias de indústrias hidrelétricas e seus efeitos a longo prazo sobre a paisagem tropical, clima e biodiversidade no Brasil e América do Sul.
Será oferecida uma introdução a uma “Hidrologia para artistas” fictícia, reunindo informações básicas e metodologias nas áreas de hidrologia, climatologia, oferta e demanda de energia e tecnologia de usinas hidrelétricas. A complexa situação da biodiversidade e climatologia na maior bacia amazônica será examinada, bem como a história da extração de energia por meio de empresas industriais na paisagem tropical. Convidaremos palestrantes que vão desde cientistas a mentores de direitos indígenas, assistindo a filmes e analisando material relacionado com o tema.
O objetivo é possibilitar que os participantes contribuam para o debate público em torno do tema, mediando com meios artísticos e a partir de uma perspectiva artística.
Christoph Keller é um artista de Berlim. Ele estudou Matemática, Física e Hidrologia em Freiburg, Berlim e Santiago do Chile, bem como na Universidade de Artes, Berlim, e na Academy of Media Arts, Colónia.
Exposições individuais selecionadas e projetos incluem: Expedition Bus and Shaman Travel, em Esther Schipper/ abc Berlim (2012); L’Institut des archives sauvages, Villa Arson, Nice (2012); Aether – between cosmology and consciousness, Espace 315, Paris (2011); Observatorium, Kunstverein Braunschweig (2008).
Em suas instalações, frequentemente referenciando configurações experimentais, o artista alemão Christoph Keller utiliza as possibilidades discursivas da arte para investigar os temas da ciência e suas utopias. Os Cloudbuster-Projects (desde 2003) envolvem reconstituições de experiências de Wilhelm Reich para influenciar a atmosfera com energia orgônica. Em Encyclopaedia Cinematographica (2001) e Archives as Objects as Monuments (2000), Keller enfoca a arqueologia do filme científico, a impossibilidade da documentação objetiva, e o problema do impulso arquivista de pôr ordem a um conhecimento abrangente. Apesar de toda a objetividade metodológica, um projeto seletivo e deliberado está sempre em trabalho aqui. Em Expedition-Bus and Shaman-Travel (2002), um ônibus de acampamento espelhado para viagens de pesquisa, o ponto de vista etnográfico da ciência é exposto como uma projeção de sua própria cultura. O espectador é arrastado para a instalação e torna-se um investigador de campo. Keller está, em última análise, preocupado em ligar os métodos e procedimentos do trabalho científico com uma experiência espacial, mas também psicológica e física da arte.

Keller frequentemente trabalha em temas nas fronteiras da ciência, tais como a relação entre hipnose e cinematografia em Hypnosis-Film-Project (2007) ou Visiting a Contemporary Art Museum under Hypnosis (2006) para os quais ele estudou e aplicou experimentalmente métodos hipnóticos: The Mesmer Room (2006). Em Chemtrails Phenomenon (2006) e The Whole Earth (2007), o tema é teorias da conspiração na Internet, que, como “construções científicas” são igualmente expressões de certo estado de consciência na sociedade. Em seu ciclo de trabalho Inverse Observatories (desde 2007), Keller inverte o ponto de vista: não é o universo que é observado, mas sim a própria observação. Em 2008 ele também fundou um grupo de pesquisa interdisciplinar para a representação de estados alterados nas artes na Universidade de Arte de Berna. Conduzindo aos limites da linguagem está a vídeo-instalação Interpreters (2008) na qual tradutores simultâneos traduzem em duas direções ao mesmo tempo em que refletem sobre o próprio trabalho. O vídeo Verbal/ Nonverbal (2010) mostra um grupo de cobaias na frente de um fundo branco neutro inalando um gás alucinógeno e em seguida falando sobre suas experiências.
Christoph Keller primeiro estudou matemática, física e hidrologia, antes de continuar seus estudos na Academia de Arte de Berlim e em Colônia. Suas obras estão presentes em muitas exposições internacionais, como a Bienal de Lyon (2011), Klimakapseln, Museum für Kunst und Gewerbe, Hamburgo (2010), Bienal del Fin del Mundo, Argentina (2009), Bienal do Mercosul, Porto Alegre, Brasil (2009), Dreamtime, Musée des Abattoirs em Toulouse (2009), Artfocus Jerusalém (2008), Made in Germany em Hannover (2007) ou a exposição individual Observatorium no Kunstverein Braunschweig (2008) ou LIAF Lofoten (2011). Æther – between cosmology and consciousness (2011), no Centro Georges Pompidou em Paris, foi o seu primeiro projeto artístico e curatorial em um contexto institucional.
Recebeu vários prêmios e subvenções para o seu trabalho como o Ars Viva-Preis para a arte e a ciência, o PS1 studio-grant, em Nova York, Residences Internationales aux Recollets, Paris, BM Suma em Istambul e Capacete em São Paulo, Brasil. Christoph Kelller é baseado em Berlim. Atualmente ensina como professor convidado de Media Art na Hochschule für Gestaltung, em Karlsruhe, bem como no departamento de artes visuais da Haute École d’Art et de Design, em Genebra.
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Tutores (estão disponível o ano todo para os participantes)

Helmut Batista (também da um seminário)

Solvitur ambulando/Se soluciona andando
É uma oficina de discussões com duração de 10 meses onde questões de aceleração e redução de produção serão postos em pauta.
Helmut Batista (Rio de Janeiro 1964) estudou opera na ESAT e trabalhou na ópera de Vienna. Em 1998 funda o CAPACETE uma organização sem fins lucrativos direcionado ao pensamento contemporâneo. Realizou, produziu e organizou inúmeras palestras, seminários, odficinas e exposições no Brasil e no exterior. Como artista, até 1997, expôs na Gallery Schipper, Air de Paris, Massimo de Carlo, Von Senger entre outras. Em 2013 curou e organizou uma mostra no Portikus em Frankfurt.
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Amilcar Packer (também da um seminário)
Conversas dirigidas – compoem um espaço mediador – por meio de perspectivas clínico-filosóficas – e poéticas – que tangenciam o curatorial – pretextos para deixar o tempo passar – juntos – durante alguns dias – nos contradizendo – e insistindo – em estados provisórios – e digestéticos – pele do pensamento – éticas da existência.
Amilcar Packer nasceu em Santiago do Chile em 1974 e mudou-se para o Brasil em 1982. Formado em Filosofía pela Universidade de São Paulo, é mestrando em Psicologia Clínica pelo Núcleo de Estudos da Subjetividade da PUC São Paulo. Packer desenvolve uma prática que reconfigura os campos semânticos de objetos, arquiteturas e corpos humanos por meio de ações e intervenções, fotografías, vídeos, instalações, e apresentações em diversos formatos que estabelecem campos relacionais e que buscam subverter as gramáticas normativas dos espaços sociais e os mecanismos históricos de poder. Suas atividades visam neutralizar discursos dominantes, e contribuir para desinstalar dispositivos de opressão instituídos e cristalizados na partilha cultural do sensível – com sua correlata segregação do espaço –; na sedimentação de estruturas de poder – e sua naturalização na linguagem; e nos padrões sociais e socializantes de comportamento – que impõem políticas de homogeneização das subjetividades.
Packer colabora regularmente com iniciativas autogestionadas como o Como_clube, a Casa do Povo, e o CAPACETE, do qual, entre os anos 2011 e 2013, foi co-diretor do programa de residências artísticas de pesquisa. Tomando as artes como um território privilegiado para a experimentação ética, suas atividades se extendem em formatos discursivos, aulas e oficinas, encontros e conversas, almoços e passeios que estabecem espaços e estados provisórios para dinámicas coletivas menos hierarquizadas, onde predominam a construção da horizontalidade, o debate crítico, o aprendizado mútuo e a convivência. Nos últimos anos, se apresentou em programas de formação como Städelschule, Frankfurt, Alemanha, 2013; PIESP – Porgrama Independente da Escola São Paulo, 2013, Centro de Investigaciones Artisticas, Buenos Aires, Argentina, 2013; History Matter CCA – Lagos, Nigéria, 2012; Universidade de Verão, Rio de Janeiro, 2012 e 2013; the Harbor, Beta Local, San Juan, Puerto Rico, 2011; Novos Coreógrafos, CCSP, 2010; On Reason and Emotion, Sydney Biennial 2004 educational programs – Hobart School of the Arts, Launceston School of the Arts, Tasmania, Autrália, 2004.
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Manuela Moscoso (tutor)
Moscoso é uma curadora que enfatiza principalmente o pensamento especulativo e ações no sentido de privilegiar a imaginação. Seja organizando exposições, iniciando um espaço, um programa de residências ou uma plataforma online, entende a colaboração como parte integrante da sua prática. Moscoso foi a curadora adjunta de la12 Bienal de Cuenca Equador 2014, e, recentemente curo Martha Araújo: Para um corpo pleno de vazios em a Galeria Jaqueline Martins em São Paulo;Yael Davis: a reading that writes an script Museu de Arte do Rio, Rio de Janeiro; Fisicisimos, Universidad Torcuato di Tella, em Buenos Aires; Quarter System, Universidad de Navarra, Pamplona; The Queens Bienal no Museu Queens, Nova York; ou Antes de Tudo no CA2M, Madrid, entre outras exposições. Ela está desenvolvendo um projeto de pesquisa de longo prazo para Casa del Alabado Arte Pré-Colombino em Quito envolvendo práticas artísticas contemporâneas, os primeiros artistas em responder a coleção são Asier Mendizabal e Osías Yanov. Desde 2010, juntamente com Sarah Demeuse é Rivet, um escritório de curatorial investiga noções de implantação, a circulação, exercício e ressonância. Sua pesquisa se concretizou em projetos em Nova York, Vitoria-Espanha, Los Angeles, Ghent ou Beirute. O ultimo projecto de Rivet se chama The Wilson Exercise sobre ficar apto ao trabalhar em conjunto com os artistas Marc Vives e Anna Craycroft e ainda seguindo o interesse individual. É uma forma de prestar muita atenção ao processo durante o desenvolvimento de um projecto multifacetado – compreendendo conversas pessoais, uma escola de verão em Stavangers, teleconferências, duas exposições em Los Angeles e Barcelona, e uma publicação Manual projetado pelo Project New York – entre os dois artistas e o duo curatorial. Rivet publicou recentemente Thinking about it com Archive Books e está a preparando a primeira monografia do artista Daniel Steegmann Mangrané com o diseñador Manuel Reader.
 Nos últimos anos, ela tem falado o dado workshops em Bulegoa Bilbao, no Worlds Biennale Forum em São Paulo, ArtBO na Colômbia, Open Forum em Buenos Aires, HKW Synapse em Berlim, No Mínimo em Guayaquil, Charlas Parásicas em Lima, SITAC XI México DF ou Videobrasil São Paulo, entre outros. Junto com Amilcar Packer desarrollo o programa curatorial Maquina de Escrever centrado em a escritura como uma ferramenta para construção do pensamento. Moscoso tem um mestrado de Center for Curatorial Studies na Bard College e BA em Belas Artes na Central Saint Martins Escola de Arte e Design.



Perguntas frequentes

Qual o custo do programa 2017 para cada participante?

O custo total do program é o custo de transporte até Athenas e os custos locais menos a moradia que sera oferecida. O custo de vida em Athenas é menor que na cidade do Rio de Janeiro ou em São Paulo. Acreditamos que com algo em trono de 300 a 500 euros.

Existe uma idade mínima ou máxima para se inscrever?
Não, aceitamos inscrições de candidatos de todas as idades. O importante é ressalatar que estamos focando nosso porgrama para participantes em ínicio de carreira. Individuos que já tenham algum processo elaborado de trabalhar e buscam esta possibilidade de se aprimorar e contribuir de maneira coletiva.

A hospedagem está incluída no programa?
A hospedagem está incluida no programa e neste momento iremos oferecer quartos compratidos. Ao longo deste ano iremos trabalhar para conseguir mais fundos para que cada participante tenha seu próprio quarto.

Quando devem chegar os participantes?
A data deve ser em torno do ínicio de março 2017

Qual o custo do visto?
Uma vez selecionados os participantes estrangeiros deverão procurar a embaixada ou consulado brasileiro mais perto (normalmente nas capitais) para ver quais documentos são necessários. A questão do visto é um porblema de constantes mudanças uma vez que respondem a lógicas políticas e podem ser muito diferentes para cada país em questão. O visto pode levar 2 meses para serem preparados e o custo gira em torno de 150 Reais no Brasil (oficialização dos papeis para pedir o visto), mais 100 Euros nos países em questão, e finalmente outros 230 Reais de custos de imigração uma vez que o participante estiver no Brasil onde precisa se registrar na Policia Federal. Estes valores estão sujeitos a mudanças!

Os seminários serão em que língua?
Os seminários serão em lingua inglesa. É indispensável uma razoável compreensão da língua inglesa para participar deste programa. Lembramos que iremos ter muitas palestras, e visitas de outros profissionais estrangeiros que terão as mesmas exigências.

É possível trabalhar durante o ano?
Os seminários ocorrerão em horários diferentes e ainda serão elaborados com os seminaristas e iremos adaptar ao máximo possível às exigências dos participantes. Visto que ao menos 8 participantes não serão da cidade de Athenas, e muitos dos seminaristas também não vivem na cidade e terão carga horária bastante exigente (média de 20 horas por seminário), acreditamos que caberá ao participante se ajustar as exigências da programação. Sublinhamos que o visto que receberemos não permite trabalho legalizado.

As horas exigidas pelo programa consistem em que?
Para o bom funcionamento, preços módicos e um espírito coletivo, o CAPACETE exige participação efetiva do candidatos de forma prática: manutenção da biblioteca que terá horário de abertura ao público, organização dos eventos, manutenção do site, tradução de textos etc. Esta carga horária de 8 horas semanais pode, dependendo do grupo, ter uma exigência completamente diferente desta estipulação inicial. Iremos debater esta problemática com os candidatos selecionados.

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Qual o custo do programa 2016 para cada participante?
O custo total do programa é de do valor total de R$ 40.000,00. Para cada participante, dependendo do seu país de origem, haverá uma solução específica de bolsa que cobrirá 85% do valor anual total do programa por participante (bolsa = R$ 34.000,00). R$ 6.000,00 deverão ser pagos pelos participantes. Caberá aos candidatos, junto com a equipe do CAPACETE, trabalhar para conseguir os fundos que irão cobrir os 85% (R$ 34.000,00). Após a seleção dos finalistas, daremos inicio à fase de captação, jutno com os selecionados. Os casos serão analisados e tratados individualmente. Para candidatos que não possuam qualquer possibilidade de financiamento junto a seus países de origem, o CAPACETE irá disponibilizar 2 a 3 bolsas referentes a 85% do valor total do programa. Vale ressaltar que neste caso também, caberá aos candidatos, com ou sem bolsa, contribuir com o valor de R$ 6.000,00, que deverá ser pago em 2 vezes; respectivamente no início do programa, em março, e em julho de 2015.

Existe uma idade mínima ou máxima para se inscrever?
Não, aceitamos inscrições de candidatos de todas as idades. O importante é ressalatar que estamos focando nosso porgrama para participantes em ínicio de carreira. Individuos que já tenham algum processo elaborado de trabalhar e buscam esta possibilidade de se aprimorar e contribuir de maneira coletiva.

Como funcionam as oportunidades de trabalho? Qual a carga horária? Quais os valores de remuneração?
Após a seleção, iremos analisar e discutir com os finalistas que estiverem interessados em fazer um estágio remunerado, junto a profissionais na cidade do Rio de Janeiro (veja lista dos nossos colaboradores de 2015 no programa). Estes estágios terão formas variadas, dependendo da necessidade dos profissionais envolvidos em oferecer estas vagas, e das capacidades de cada participante do programa (suas qualidades específicas; design gráfico, tradução, habilidades manuais etc.). Os casos serão analisados e tratados individualmente. Os estágios poderão ter de 10 s 20 horas semanais, ou outras equações, dependendo das necessidades dos profissionais e participantes envolvidos. O valor da remuneração serão elaboradores com cada profissional envolvido e independe do programa do CAPACETE. Sublinhamos que estes estágios se iniciam somente no més de abril uma vez que existe o més de adaptação do participante selecionado na cidade do Rio de Janeiro.

A hospedagem está incluída no programa?
A hospedagem não está incluida no programa e cabe a cada participante resolver esta equação. A equipe do CAPACETE irá, na medida do possível, ajudar a resolver esta questão. Neste momento, o CAPACETE tem à disposição 4 quartos, em um apartamento generoso no bairro da Gloria, com um preço mensal de R$ 1.500,00 por quarto, com tudo incluído (eletricidade, gas, internet etc.). Estes quartos serão postos à disposição para os interessados neste tipo de equação coletiva. Em 2015 conseguimos também uma colaboração com um artista local que se dispos a alugar sua casa com 5 quartas no bairro do Cosme Velho; portanto todos nossos participantes do programa 2015 foram confortavelmente hospedados. Esta equação, porém, esta sujeito a revisão para 2016. Iremos, após consulta dos candidatos finalistas, procurar outras soluções individuais ou coletivas referentes a moradia. É importante ressaltar que a moradia, na cidade do Rio de Janeiro, vem se tornando um problema cada vez mais agudo, exigindo maior flexibilidade dos inquilinos e forçando novas formas de convivência. Ciente deste problema, o CAPACETE, investirá esforços para conseguir solucionar da melhor maneira possível este ponto, ressaltando porém, que não pode se responsabilizar por achar uma solução perfeita e igualitária para todos os participantes selecionados.

Quando devem chegar os participantes?
Uma vez selecionados os participantes, iremos organizar as moradias e as respectivas burocracias (financiamento, vistos etc.). Caso um candidato brasileiro preferir buscar sua próprio hospedagem, aconselhamos que esteja aqui logo após o carnaval de 2015. As datas exatas do programa serão anunciados mais adiante no ano.

Qual o custo do visto?
Uma vez selecionados os participantes estrangeiros deverão procurar a embaixada ou consulado brasileiro mais perto (normalmente nas capitais) para ver quais documentos são necessários. A questão do visto é um porblema de constantes mudanças uma vez que respondem a lógicas políticas e podem ser muito diferentes para cada país em questão. O visto pode levar 2 meses para serem preparados e o custo gira em torno de 150 Reais no Brasil (oficialização dos papeis para pedir o visto), mais 100 Euros nos países em questão, e finalmente outros 230 Reais de custos de imigração uma vez que o participante estiver no Brasil onde precisa se registrar na Policia Federal. Estes valores estão sujeitos a mudanças!

É possível participar dos seminários separadamente?

Não. Exigimos dos candidatos participação em todas as oficinas, a não ser por razões de ordem maior e/ou profissional (exposição ou outras formas de trabalho). Todos os seminaristas irão realizar uma fala aberta ao público.

Os seminários serão em que língua?
Os seminários serão em lingua inglesa. É indispensável uma razoável compreensão da língua inglesa para participar deste programa. Lembramos que iremos ter muitas palestras, e visitas de outros profissionais estrangeiros que terão as mesmas exigências.

É possível trabalhar durante o ano?
Os seminários ocorrerão em horários diferentes e ainda serão elaborados com os seminaristas e iremos adaptar ao máximo possível às exigências dos participantes. Visto que ao menos 8 participantes não serão da cidade do Rio de Janeiro, e muitos dos seminaristas também não vivem na cidade e terão carga horária bastante exigente (média de 20 horas por seminário), acreditamos que caberá ao participante, carioca neste caso, se ajustar as exigências da programação. Por conclusão, os candidatos que tenham um emprego fixo, terão problemas reais de adaptação as exigências do programa. Por outro lado, outros trabalhos ou projetos com carga horária mais flexíveis, são muito bem vindos. Iremos discutir isto com os finalistas na medida que isto possa se tornar um dilema.

As 8 horas exigidas pelo programa consistem em que?
Para o bom funcionamento, preços módicos e um espírito coletivo, o CAPACETE exige participação efetiva do candidatos de forma prática: manutenção da biblioteca que terá horário de abertura ao público, organização dos eventos, manutenção do site, tradução de textos etc. Esta carga horária de 8 horas semanais pode, dependendo do grupo, ter uma exigência completamente diferente desta estipulação inicial. Iremos debater esta problemática com os candidatos selecionados.

Teremos um estudio individual para trabalhar?
O CAPECETE dispõe de uma sede/casa no bairro da Gloria onde funciona a biblioteca e onde irão acontecer a maior parte dos programas (seminários, oficinas, falas, encontros, comidas etc.). A casa/sede tem espaços flexiveis, e iremos adaptá-los às necessidades coletivas (mesas etc.). Não teremos espaços que atendam exigências individuais. O programa CAPACETE esta focado no pensar coletivo e as ações daí oriundas.

 


Atividades

 

O programa do CAPACETE foi concebido como uma fluida e adaptável plataforma de intercâmbio entre os participantes e os palestrantes e interlocutores. O programa irá anualmente oferecer nove seminários ministrados por 9 professores de diferentes origens. Os seminários terão a duração de 3 a 5 dias. Cada palestrante também fará uma palestra aberta ao público em geral. Para além disso, diferentes palestras, apresentações e eventos serão organizados ao longo do ano com outros conferencistas convidados.

Uma das ambições do nosso programa é fazer com que cada programa anual culmine em um projeto coletivo, concebido pelos participantes, e que poderá assumir qualquer formato (apresentações, performances, publicações, exposição, seminário, etc.). No entanto, de acordo com a lógica participativa do nosso projeto , ao invés de enquadrar isso como uma exigência, preferimos concebê-lo como um potencial cuja realização será decidida pelos próprios participantes .

Os participantes também serão incentivados a desenvolver projetos individuais. A utilização das instalações do CAPACETE o uso do escritório e do espaço expositivo, assim como outras infra-estruturas, serão disponibilizados para tais projetos , e o contato com instituições e agentes locais também será agenciado. O programa irá organizar viagens para diferentes locais, de acordo com o interesse do grupo de participantes selecionados (caminhadas, seminários em diferentes locais, etc.), e para isso, iremos colaborar com organizações similares no Brasil e na América do Sul.

Encontros individuais com profissionais locais e visitantes, bem como visitas a estúdios de artistas locais também serão oportunamente organizados. É importante notar que o CAPACETE não é um programa baseado em práticas de estúdio ou atelier. Instalações de trabalho estarão disponíveis e poderão ser organizadas levando em consideração caso a caso, mas espaços de trabalho designados especificamente, não serão fornecidos automaticamente para cada participante.

Algumas viagens também serão organizados uma vez que o grupo esteja constituido e deve levar em conta a programação geral do ano. Exemplo: viagem de estudo para Minas Gerais, projeto que faz parte do seminário de Carla Zaccagnini; uma viagem para outro país da america latina )deve ser realizada na medida que as finanças possibilitam) etc.

Nossa residência no Edifício COPAN, em São Paulo, será de pleno proveito para os participantes em suas visitas a São Paulo e para diversas formas de colaboração com profissionais desta cidade.


Participantes

 

O CAPACETE opera no nível do para-acadêmico e as inscrições para o programa são gratuitas e abertas para candidatos de qualquer idade, de todo o mundo, e que atuam na área da cultura. No entanto, a prioridade do programa é para pesquisadores em início de carreira. Não é imperativo que os candidatos possuam diploma universitário para sua elegibilidade, mas espera-se que o candidato tenha dedicação consistente em relação a sua própria investigação. Os candidatos podem ter uma formação educacional ou interesse em diferentes disciplinas (antropologia, dança, etc.), no entanto, é importante que os candidatos entendam as diretrizes do programa. Note-se que este programa herda e transforma 16 anos de atividades do CAPACETE Entretenimento. Assim, a fim de que se tenha uma melhor compreensão do CAPACETE, recomendamos olharem o documento em anexo, a fim de entender as especificidades deste cenário e contexto.

O CAPACETE reúne profissionais de diferentes formações e que estão totalmente investidos em sua prática. Portanto, será exigido que o participante conceda dedicação integral às atividades globais do programa .


Os participantes do programa 2016 são:

Anna Bak (Dinamarca)
Aurélia Defrance (França)
Caetano Maacumba (Brasil)
Camilla Rocha Campos (Brasil)
Ian Erikson-Kery (E.U.A.)
Jonas Lund (Suécia)
Julia Retz (Brasil)
Marilia Loureiro (Brasil)
soJin Chun (Canadá)
Soledad Leon (Chile)
Tali Serruya (Argentina)
Thora Doven Balke (Noruega)

Os participantes do programa 2015 são:

Caroline Valansi (BRASIL),
Daniel Jablonski (BRASIL),
Giseli Vasconcelos (BRASIL),
Lucas Sargentelli (BRASIL),
Joen Vedel (DINAMARCA),
Adeline Lepine (FRANCA),
Oliver Bulas (ALEMANHA),
Tanja Baudoin (HOLANDA),
Félix Luna (MEXICO),
Andrew de Freitas (NOVA ZEALÂNDIA),
Asia Komarova (RUSSIA),
Refilwe N Nkomo (AFRICA DO SUL),
Maricruz Alarcon (CHILE)


Custos e Taxas

 

Todos os participantes devem pagar uma taxa anual de participação no valor de R$ 6.000,00, a ser paga em duas parcelas (consulte a ficha de candidatura para obter mais informações). Esta taxa corresponde a 15 % do custo total de execução do programa. Os outros 85 % dos custos do programa serão abordados numa base individualizada, e que exigirá que os candidatos cubram os custos diretamente ou, em conjunto com o CAPACETE , recorrendo ao auxílio de fundações e instituições em seu país de origem, para o financiamento por meio de programas de incentivo e bolsas.

O custo anual para a realização do programa é de R$ 40.000,00 por participante. O CAPACETE pretende buscar bolsas para todos os participantes de até 85% deste valor (R$ 34.000,00). Este custo não inclui alojamento, alimentação, transporte ou outras despesas que possam incorrer aos participantes.

É intenção do CAPACETE, encontrar financiamento para o custear o programa para todos os participantes por meio de bolsas de fundações, governos e apóio do setor privado. CAPACETE irá trabalhar com cada candidato selecionado para encontrar a melhor solução financeira para a sua participação no programa, e custos de vida, em um sistema que irá considerar as necessidades individuais. Apesar de não podermos garantir esta ajuda financeira, é de nossa ambição, ajudar todos os candidatos aceitos a encontrar financiamento para os restantes 85 % das taxas do programa.

CAPACETE vai oferecer 2 a 3 subvenções aos candidatos que não têm acesso a bolsas de estudo e outros auxílios financeiros por meio de instituições nacionais e internacionais ou doadores privados. Estas bolsas não pretendem cobrir a taxa de participação fixa no valor de R$ 6.000,00. Estas taxas continuarão a ser a responsabilidade dos beneficiários.

CAPACETE também vai oferecer oportunidades de até 20 horas semanais de trabalho remunerado para os participantes interessados, de modo a auxiliar o financiamento de sua estadia no Rio de Janeiro. Até o presente momento, Antônio Dias, Ernesto Neto, Tiago Carneiro da Cunha, Daniel Steegmann, Galleria Nara Roesler ofereceram oportunidades de trabalho para o termo de 2015. Ao longo de 2014, esperamos conseguir mais possibilidades de parceria para atender às possíveis necessidades dos candidatos selecionados. Estes trabalhos consistem de estágios remunerados com artistas e instituições locais. Os participantes podem alugar um espaço em nossa estrutura (quarto privado ou compartido), ou podem encontrar o seu próprio alojamento (consulte a ficha de inscrição para maiores detalhes). Todos os participantes terão também que dedicar 8 a 10 horas por semana para a manutenção do espaço ( biblioteca, planejamento, plantio, cozinhar, limpar, etc.)


Participantes do programa 2016

Andrea Fraser

Andrea conduzirá uma oficina de quatro dias focada em uma série de abordagens psicanalíticas às relações de grupo, engajamento artístico e performance. O workshop irá incluir uma discussão de leituras que serão disponibilizadas; auto-estudo experimental de processo em grupo; exercícios de performance; e discussões em grupo de projetos dos participantes aplicando métodos variados.

Andrea Fraser é uma artista baseada em Los Angeles, cujo trabalho tem se identificado com performance, feminismo, arte contextual e crítica institucional. Ela foi uma membro-fundadora do grupo de performance feminista The V-Girls (1986-1996), da iniciativa baseada em projetos artísticos Parasite (1997-1998) e da galeria de arte cooperativa Orchard (2005-2008). Entre os livros sobre os seu trabalho estão A Society of Taste, Kunstverein München, 1993; Report, EA-Generali Foundation, 1995; Andrea Fraser: Works 1985-2003, Dumont Buchverlag, 2003; Museum Highlights: The Writings of Andrea Fraser, MIT Press, 2005, e Texts, Scripts, Transcripts, Museu Ludwig Köln, 2013. O Museu Ludwig Köln apresentou uma retrospectiva de seu trabalho em 2013, em conjunto com o recebimento do Prêmio Hahn Wolfgang. Ela é professora de Novos Gêneros no Departamento de Arte da Universidade da Califórnia, Los Angeles e docente visitante no Whitney Independent Study Program.

Pedro de Niemeyer Cesarino

Humanidade, pessoa e multiplicidade

O seminário tratará de refletir sobre as variações e transformações da noção de “humano” em distintos regimes ontológicos, tendo em vista os problemas da multiplicidade, da conexão, das relações de vizinhança, de limite e de devir. Serão apresentados casos provenientes de estudos etnográficos sobre sociedades ditas tradicionais ou não-ocidentais, a serem articulados com reflexões produzidas sobre o contexto hipercapitalista contemporâneo. Pretende-se, em outros termos, oferecer elementos para a compreensão de determinadas configurações do corpo e da pessoa envolvidos em distintos estatutos de humanidade e seus respectivos regimes de criatividade e de expressão.

Pedro de Niemeyer Cesarino é graduado em filosofia pela Universidade de São Paulo, mestre e doutor em antropologia social pelo Museu Nacional/ UFRJ. Deselvolve pesquisas em etnologia indígena (com ênfase em estudos sobre xamanismo e cosmologia), tradições orais, tradução e antropologia da arte. Foi Professor-Adjunto de Antropologia da Arte no Departamento de História da Arte da Universidade Federal de São Paulo. Atualmente, é professor do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo, na área de pesquisa Antropologia das Formas Expressivas. É autor de Oniska – poética do xamanismo na Amazônia (São Paulo, Perspectiva, 2011) e Quando a Terra deixou de falar – cantos da mitologia marubo (Editora 34, 2013) e de diversos artigos publicados em revistas especializadas. Nos últimos anos, publicou também textos literários e trabalhos de dramaturgia.

 Leandro Cardoso Nerefuh

No contexto atual de previsões catastróficas de ‘fim do mundo’ por conta da ação humana destruidora dos sistemas da terra – acarretando mesmo em um novo período geológico: o antropoceno – esse módulo do programa vai desviar da nossa rota de colisão apocalíptica e apontar para algumas alternativas de futuro ou futurismos alternativos. Mais especificamente, iremos revisitar algumas propostas de cunho ‘futurista’ conforme articuladas na arte brasileira. Ou melhor, conforme articuladas a partir do ‘Brasil’ para o mundo. Propostas que aparecem no campo estético-experimental de forma sintética e programática. Isto é, não conclusiva e nem explicativa. E talvez por isso mesmo permaneçam a margem (como potencia) em relação a uma historiografia da arte global. São elas: Tecno-primitivismo, Tecno-brega, Construtivismo Tabaréu, Afrofuturismo, Exuberância Órfica. Frente a capitalismos informacional, cognitivo, tardio, desértico, solar, etc., o que essas propostas carregam de essencial é um giro tecnológico da diferença. A apropriação e a invenção tecno de todas as ordens: ultra hi-tech, ocultas, primitivas… que podem fornecer possibilidades de vislumbrar outros tipos de relações entre humanos, não-humanos e o planeta, e mesmo o cosmos.

A partir de exemplos da poesia, kinema, literatura, música, teoria especulativa e cultura popular, esse módulo do programa irá traçar uma genealogia de certas ideias de futuro alternativo e pensar no seu potencial para os dias de hoje. Além de desenvolver exercícios práticos a serem realizados em grupo. O módulo contará ainda com a participação de artistas convidados.

 Leandro Nerefuh (1975) vive em Sum Paulu, Brasil. É artista-pesquisador graduado em História da Arte (Goldsmiths College, 2007) e mestrado em Estudos Culturais (London Consortium, 2009). Trabalha com a tradução formal de narrativas históricas, com especial interesse pela América Latina. Entre exposições recentes, destacam-se ‘Radical Software’, W139, Amsterdam; ‘33 Panorama da Arte Brasileira’, MAM – SP; ‘Agitprop Abyssal’, Galeria Nacional Zacheta, Varsóvia; ‘Contra Escambos’, Palácio das Artes, Belo Horizonte; ‘Mobile Radio’, 30 Bienal de São Paulo; ‘Arquivo Banana’, 17 Festival Sesc VideoBrasil; ‘Memorias Disruptivas’, Museu Reina Sofia Madrid; ‘Talk Show’, Institute of Contemporary Arts, Londres. Leandro é também membro- fundador do PPUB, Partido pela Utopia Brasileira, atuante no Brasil, Paraguai e Uruguai.

Max Jorge Hinderer Cruz

O que é ideologia? E que é a crítica da ideologia? A ideologia é sempre anterior a nossa fala? Necessariamente determina o que pensamos? Determina a quem amamos e com quem brigamos? É só em nossa cabeza, ou tem a ver com nossos sentimentos, nossos corpos, nossos desejos, os psicotrópicos que consumimos? Partindo de discursos da década do 1960 o curso vai procurar entender em qué consistiu o que chamaremos de “giro estético” da crítica da ideologia pós-marxista, e falando em sexo, drogas e rock’n’roll articularemos práticas estéticas (e artísticas) com noções como a da “Micropolítica” e a “Microfísica do poder” para entender as formas e forças que governam nosso cotidiano.

Max Jorge Hinderer Cruz é um escritor e editor boliviano-alemão, e vive em São Paulo. Junto com Suely Rolnik, Pedro Cesarino e Amilcar Packer integra o núcleo coordenador do Programa de Ações Culturais Autônomas (P.A.C.A.). Foi curador do projeto de exposição e publicação “Principio Potosí”, apresentado no Museo Reina Sofia em Madri, o Haus der Kulturen der Welt de Berlim, e no Museo Nacional de Arte e MUSEF de La Paz em 2010 e 2011; e é autor do livro “Hélio Oiticica e Neville D’Almeida: Cosmococa” publicado por Afterall/MIT Press em 2013 e Capacete Entretenimentos e a editora Azougue, Rio de Janeiro em 2014.


Objetivo

 

CAPACETE lança o segundo programa anual, na cidade do Rio de Janeiro, dedicado à prática e à pesquisa nas artes e no do pensamento crítico, e que receberá até 12 participantes dentre brasileiros e estrangeiros. A segunda edição irá iniciar em março de 2016. Pensamento é ação.

Visão

Nossos contextos globalizados estão estruturados pela desigual distribuição do trabalho e das riquezas, e são crescentemente moldados pela economia dos mercados especulativos. Atualmente, inúmeras das manifestações culturais são eventos de grande escala, e freqüentemente estão direcionadas para um público genérico ou restritas à elite. Tal situação reduz e neutraliza o alcance ético e político da arte, assim como o seu potencial em promover e inspirar outras formas de trabalho, pensamento, relacionar-se e viver.

Nossa intenção é constituir situações e desenvolver estratégias que forneçam uma alternativa concreta e real para este estado de coisas. Nosso programa é desenhado para refletir o caráter interdisciplinar das práticas estéticas contemporâneas, trabalhando com artistas e pensadores cujos esforços articulam o mundo teórico com apresentações artísticas em diversos formatos e dinâmicas, e para diferentes públicos. Ao desafiar o estado atual da cultura, economia e educação, nossa função será principal será elaborar auto-organização e gestão artísticas, participação e modos colaborativos de ação, como parte fundamental do conteúdo e da estrutura de nossas atividades.

Estas iniciativas somente podem ser desenvolvidas ao longo do tempo, por meio simultâneo de ativação e avanço de diversas formas de troca, distribuição e produção. Nossa intenção é manter atentos e fluidos ao longo deste processo, ajustando nossas estratégias, táticas, e objetivos à medida que nos desenvolvemos. Um dos objetivos integrais de nosso programa é expandir continuamente nossa plataforma de troca, trazendo novos participantes e interlocutores, fomentando as relações entre diferentes instituições e organizações, bem como aprofundando os laços e relações com colaborações estabelecidas.

CAPACETE age na intercessão de diversos campos sociais e profissionais, exigindo, portanto, que os participantes selecionados embarquem plenamente em um diálogo aberto e horizontal, se envolvendo ativamente nas atividades do programa, instigando que por sua vez, possam funcionar como plataformas para a disseminação da informação, promovendo respostas ativas e gerando o debate público.

 Contexto

A complexa e paradoxal realidade brasileira foi moldada por estruturas coloniais de poder, como podem ser vistas em sua assimétrica estrutura de classes sociais, regularidade dos incidentes de violência do estado, e na lógica da exploração e lucro irrestritos. Esta disposições foram reiteradas por duas ditaduras militares, durante o século XX, e mais recentemente, por um neoliberalismo de estilo latino. Constantemente sujeito a mudanças econômicas e transformações políticas, a predileção do governo por políticas culturais de curto prazos somada à falta de investimento nas instituições culturais, acabaram gerando um contexto cultural frágil. Enquanto isso, as empresas têm investido e dominando fortemente a paisagem cultural, motivadas em grande parte pelas políticas de dedução fiscal por meio do uso de leis federais (cf. Lei Rouanet, 1995). Isso tem gerado empreendimentos e publicidade de alto lucro, mas muito pouco em termos de produzir uma discussão crítica e política contínuas, deste modo, enfraquecendo um ainda mais, um contexto cultural já frágil. Em um país que tem uma das maiores concentrações de riqueza do mundo, tal panorama vêm contribuindo para acentuar e manter as disparidades sócio-culturais.

Um dos resultados perversos de um cenário cultural frágil é o isolamento dos produtores culturais autônomos e autores que, apesar de desenvolverem uma prática forte e importante, não conseguem encontrar os meios para articular suas pesquisas e conhecimentos com outras áreas. CAPACETE pretende operar em uma escala micro, levantando diferentes modos de representação e de produção por meio de conexões íntimas. Sua abordagem interdisciplinar tem como objetivo desafiar e revigorar o contexto atual brasileiro e dar-lhe uma visibilidade diferente, por meio da criação de alternativas reais para as redes e formatos culturais existentes. Trabalhar em pequena escala será uma parte essencial do nosso esforço, como também foi o caso do Programa de Residências do CAPACETE Entretenimentos. Neste sentido, CAPACETE pode ser visto como a continuação e reativação de práticas e estratégias desenvolvidas pelo seu antigo programa de residência, ambas projetadas para adensar as práticas sócio-políticas e culturais , fornecendo uma base ativa para discussão, debate e reflexão cultural.

Instalações

CAPACETE possui sede própria cuja infra-estrutura consiste em uma casa localizada no bairro da Glória, Rio de Janeiro, com um apartamento totalmente equipado para os interlocutores convidados, uma biblioteca (livros em diferentes línguas), um pequeno espaço multifuncional, um espaço expositivo flexível, uma sala de aula, salas polivalentes, um jardim, 2 cozinhas totalmente equipadas (uma ao ar livre para eventos maiores). CAPACETE também co-dirige uma estrutura semelhante a um hotel onde muitos profissionais são hospedado durante sua visita ao Rio de Janeiro. Esta estrutura estará em contato próximo com CAPACETE e fornecerá suporte para suas atividades.

 

Objetivos do Programa

 + Construir com o legado de 16 anos de atividade do programa de residências do CAPACETE entretenimentos internacional, um programa e uma estrutura diferentes;

+ Promover novos modos de operação e instigar a sensibilidade coletiva;

+ Repensar os modos de produção em uma sociedade acelerada;

+ Moldar diferentes relações de trabalho com base na convivência e troca;

+ Promover a investigação interdisciplinar no âmbito das diferentes esferas do social, por meio da criação de um fórum para o debate público contínuo e a troca, relacionados às práticas estéticas contemporâneas e a questões sócio-políticas;

+ Estabelecer e manter um arquivo especializado e um banco de dados sobre as práticas culturais locais e internacionais, incluindo publicações, dossiês, material de exposições e de seminários, e um web site ;

+ Criar um ambiente que seja acessível aos participantes de diferentes origens econômicas, ajudando a financiar as suas despesas de subsistência e participação no programa ;

+ Interagir com o contexto e a comunidade de arte locais;

+ Colaborar com outras iniciativas nacionais e internacionais semelhantes como parte de nosso programa anual ;

+ Operar de forma sustentável e ambientalmente consciente, promovendo a conscientização por meio de eventos específicos, tais como seminários, eventos, uso de tecnologias ecológicas, etc. ;

 O Programa

 O programa irá selecionar 12 participantes. Nosso objetivo é reservar 4 lugares para brasileiros 4 para os sul-americanos, e 4 para participantes provindos do resto do mundo. A duração do programa será de 10 meses – a partir de 1 º de março a 20 de dezembro -, contemplando uma pausa de um mês, em julho.

O programa foi concebido como uma fluida e adaptável plataforma de intercâmbio entre os participantes e os palestrantes e interlocutores. O programa irá anualmente oferecer nove seminários ministrados por 9 professores de diferentes origens. Os seminários terão a duração de 3 a 5 dias. Cada palestrante também fará uma palestra aberta ao público em geral. Para além disso, diferentes palestras, apresentações e eventos serão organizados ao longo do ano com outros conferencistas convidados.

Uma das ambições do nosso programa é fazer com que cada programa anual culmine em um projeto coletivo, concebido pelos participantes, e que poderá assumir qualquer formato (apresentações, performances, publicações, exposição, seminário, etc.). No entanto, de acordo com a lógica participativa do nosso projeto , ao invés de enquadrar isso como uma exigência, preferimos concebê-lo como um potencial cuja realização será decidida pelos próprios participantes .

Os participantes também serão incentivados a desenvolver projetos individuais. A utilização das instalações do CAPACETE o uso do escritório e do espaço expositivo, assim como outras infra-estruturas, serão disponibilizados para tais projetos , e o contato com instituições e agentes locais também será agenciado. O programa irá organizar viagens para diferentes locais, de acordo com o interesse do grupo de participantes selecionados (caminhadas, seminários em diferentes locais, etc.), e para isso, iremos colaborar com organizações similares no Brasil e na América do Sul.

Encontros individuais com profissionais locais e visitantes, bem como visitas a estúdios de artistas locais também serão oportunamente organizados. É importante notar que o CAPACETE não é um programa baseado em práticas de estúdio ou atelier. Instalações de trabalho estarão disponíveis e poderão ser organizadas levando em consideração caso a caso, mas espaços de trabalho designados especificamente, não serão fornecidos automaticamente para cada participante.


CAPACETE

CAPACETE é um novo programa anual, na cidade do Rio de Janeiro, dedicado à
prática e à pesquisa nas artes e no do pensamento crítico, e que receberá
até 12 participantes dentre brasileiros e estrangeiros. A primeira edição
irá iniciar em março de 2015. Pensamento é ação.

CAPACETE estimula colaboração, dialogo e discussão com aritstas, curadores
e outros agentes culturais.